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Baterias provocam loucura pelo cobalto. O que pode acontecer?

Mark Burton

(Bloomberg) -- O cobalto fez os outros metais comerem poeira neste ano, impulsionado pela demanda de fabricantes de automóveis elétricos como a Tesla. Mas, com a chegada de uma nova oferta e a probabilidade de os preços elevados estimularem substituições e reciclagem, o mercado desse importante componente das baterias pode oscilar fortemente no ano que vem.

A seguir, cinco tópicos que vão chamar a atenção do mercado em 2018.

Preços recorde

Depois que os preços mais que triplicaram nos últimos dois anos, o cobalto se transformou em um prêmio valioso para as poucas mineradoras que o produzem em escala. O mercado global aumentou de cerca de US$ 4 bilhões por ano no fim de 2016 para em torno de US$ 8 bilhões atualmente e atingiu um tamanho mais ou menos equivalente ao do mercado de estanho.

Mas o cobalto pode se nivelar em 2018. A BMO Capital Markets prevê que os preços médios se manterão em torno de US$ 68.200 por tonelada, contra cerca de US$ 72.000 atualmente, à medida que Glencore e Eurasian Resources ampliarem grandes projetos novos em 2018 e 2019.

Oferta nova

Como o cobalto é produzido principalmente como subproduto do cobre e do níquel, os preços maiores não tendem a estimular uma oferta nova, a exemplo do que ocorreria em outros mercados de commodities. Mas, como o cobalto está gerando grandes ganhos, os produtores estão dando seu melhor para ampliar a produção.

A expansão maior do que o esperado no projeto Katanga da Glencore, em particular, parece ter adiado o surgimento de uma escassez que muitos analistas preveem que aparecerá quando a utilização em veículos elétricos começar a disparar, no fim da década.

Contratos de oferta

É provável que os consumidores de cobalto fiquem preocupados com a oferta a longo prazo. O CEO da Glencore, Ivan Glasenberg, confirmou que a mineradora já está negociando com compradores como Tesla e Volkswagen, e essas negociações provavelmente avançarão com urgência no ano que vem à medida que as fabricantes de veículos levarem adiante seus ambiciosos planos de lançar veículos elétricos para o mercado de massa.

As fabricantes de automóveis que procuram ofertas de longo prazo podem estar mais dispostas a vincular as vendas a preços à vista flutuantes. Em setembro, a Volkswagen pediu que as produtoras fornecessem cobalto a preço fixo em um leilão de longo prazo, mas desde então flexibilizou a exigência, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Reciclagem e substituição

As fabricantes de veículos buscam formas de usar menos cobalto devido ao aumento dos preços, disse Colin Hamilton, diretor-gerente de pesquisa de commodities da BMO Capital Markets, por telefone, de Londres. "A química da bateria não mudará da noite para o dia, mas, considerando as mudanças no preço, as fabricantes de automóveis definitivamente se apoiarão na indústria de baterias para impulsionar a substituição."

Ao mesmo tempo, as empresas de reciclagem tentarão recuperar mais cobalto das baterias usadas. O cobalto das baterias de íon de lítio poderia atingir 22.500 toneladas em 2025, contra 8.700 toneladas em 2017, segundo a Creation Inn, empresa de pesquisa com sede em Londres focada em armazenamento de energia e reciclagem.


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