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Carvão impera mesmo com recorde em energia renovável na Alemanha

Jesper Starn

18/12/2017 10h30

(Bloomberg) -- Apesar de todos os novos parques eólicos, parques solares e hidrelétricas, que ajudarão a maior economia da Europa a bater mais um recorde em energia renovável neste ano, o mais sujo dos combustíveis usados na geração de energia ainda dita as regras na Alemanha e define o preço pago pela eletricidade nas fábricas.

Neste ano, pela primeira vez, as turbinas eólicas produzirão mais energia do que as plantas que queimam carvão já que a mudança sem precedentes do país em direção às energias renováveis elevou a produção dos parques solares e eólicos para mais de um terço do total do país. No entanto, os preços do carvão, em seu nível mais alto desde 2013, estão elevando as tarifas de eletricidade pela primeira vez em seis anos devido à forma como funciona o mercado.

Em meio às negociações da base aliada, que se arrastam pelo terceiro mês, o bloco da chanceler Angela Merkel e de seus possíveis parceiros concorda em pelo menos uma coisa: o uso do carvão para geração de energia precisa ser limitado. Mesmo depois de os consumidores pagarem cerca de 650 bilhões de euros (US$ 770 bilhões) em subsídios para tudo, de painéis solares para telhados a parques eólicos offshore, redes e baterias gigantes, pelo curso atual o país não cumprirá sua famosa meta de redução das emissões de dióxido de carbono até 2020.

Enquanto as energias eólica e solar têm prioridade garantida por lei e entram primeiro na rede, as plantas de carvão muitas vezes são as últimas e, portanto, fixam o preço da próxima unidade de energia necessária para fazer frente à demanda. O preço médio da energia com um dia de antecedência na Alemanha deverá subir pela primeira vez desde 2011, acompanhando a alta de 28 por cento nos preços do carvão europeu. Os preços da energia industrial estão, em grande parte, ligados ao mercado atacadista.

"Enquanto continuarmos no carvão e não desligarmos as usinas elétricas, o gás e o carvão serão as principais influências sobre os preços da energia na Alemanha", disse Steffen Gursinsky, trader da Energieunion em Schwerin, Alemanha. "Se a tendência de aumento do preço do carvão continuar no ano que vem, os preços da energia acompanharão."

As energias renováveis atenderam uma fatia recorde de 38 por cento da demanda energética da Alemanha neste ano até esta segunda-feira, segundo o website da empresa de pesquisas Fraunhofer. Entre as novas plantas deste ano que elevam a oferta a um novo recorde estão três gigantescos parques eólicos na parte alemã do Mar do Norte com a capacidade combinada de um reator nuclear.

O carvão marrom ainda é a maior fonte de energia individual do país e os combustíveis fósseis representam quase metade da matriz. A participação da energia nuclear caiu para 10 por cento após a decisão de Merkel de abandonar a energia atômica depois do desastre de Fukushima, no Japão, em 2011.

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