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Eleição do México pode ficar feia. Não seria a primeira vez

Nacha Cattan e Eric Martin

18/12/2017 13h57

(Bloomberg) -- Muitas eleições no México tiveram um lado sombrio. Candidatos foram assassinados, dinheiro ilícito circulou e contagens de votos foram misteriosamente interrompidas. Então, quando os analistas afirmam que a disputa presidencial do próximo ano poderia ser uma das mais sujas, vale a pena prestar atenção. O padrão é alto.

A campanha oficial ainda nem começou, mas o PRI, partido governante do México, já foi criticado pelos órgãos de controle eleitoral. O partido tem a máquina política mais azeitada do México e também é profundamente impopular ? uma combinação perigosa. Uma pesquisa recente mostrou o candidato do PRI, o ex-ministro da Economia, José Antonio Meade, em terceiro lugar com apenas 16 por cento de apoio.

O favorito até agora é Andrés Manuel López Obrador. Um esquerdista enérgico, ele vem fazendo campanha abertamente há anos, desacatando as leis que estipulam um cronograma eleitoral rigoroso. Ele já se candidatou duas vezes antes e tem fama de ser mau perdedor.

Enquanto isso, o país está sofrendo a pior onda de violência deste século. Isso poderia transformar os conflitos característicos das campanhas em algo mais perigoso ? especialmente se a vitória eleitoral for por pouca diferença e gerar polêmica, como muitos preveem.

Pouco otimismo

"Esta poderia ser a pior eleição desde que as disputas democráticas surgiram", disse Jesús Cantú, cientista político do Tecnológico de Monterrey. "Se analisarmos o que o governo federal e os partidos políticos já fizeram, assim como algumas autoridades eleitorais, não temos motivos para ser otimistas."

A tarefa de garantir uma reeleição tranquila cabe a reguladores que estão subfinanciados. E, em outubro, o presidente Enrique Peña Nieto demitiu o principal promotor eleitoral depois que ele falou com a imprensa de uma investigação de suborno que estava realizando sobre a eleição presidencial anterior.

Os órgãos reguladores têm tentado ir atrás dos partidos políticos que violaram as regras de financiamento durante as eleições locais em junho. Segundo o instituto eleitoral, mais de um quarto do dinheiro gasto no Estado do México, o maior do país, veio de fontes não registradas.

Todos os partidos políticos estão comprando mídia, às vezes com dinheiro por baixo do pano, de acordo com Luis Carlos Ugalde, ex-chefe do órgão eleitoral. Mas o PRI ? que detém a presidência e o maior número de governos estaduais ? pode dispor de mais recursos, disse ele.

Violência

Outro risco é a violência. Outubro foi o mês mais violento do século pelo número de homicídios, superando o pico da guerra contra as drogas da última década. Os analistas dizem que os conflitos entre grupos criminosos aumentaram depois que líderes importantes foram presos. López Obrador sugeriu neste mês a possibilidade de anistia para líderes de cartéis.

José Woldenberg, ex-regulador eleitoral, diz que a eleição provavelmente não vai exacerbar a violência. Como ambas as casas do Congresso estão em jogo e haverá eleições locais em 30 estados, "ninguém vai ganhar tudo nem ninguém vai perder tudo", disse ele. "Isso ajudará a amortecer o golpe dos conflitos pós-eleitorais."

Outros especialistas estão menos otimistas. O hackeamento do sistema eleitoral mexicano, seja pelo PRI ou por um governo estrangeiro, como a Rússia, é um risco significativo, diz Tony Payán, diretor do Centro Mexicano do Instituto Baker da Universidade Rice em Houston.

"Não acho que o PRI esteja acima de manipular a eleição, não apenas através da compra de votos nas ruas, mas também usando computadores", disse Payán. O PRI não fez comentários de forma imediata.

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