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Eleições nos mercados emergentes não dão descanso a traders

Andrew Janes, Aline Oyamada e Alex Nicholson

(Bloomberg) -- Na semana passada, tudo girou em torno das decisões dos bancos centrais. Nesta semana, as disputas pelo poder entram em cena.

No topo da lista de acontecimentos que provavelmente mais afetarão os mercados emergentes na última semana completa antes das férias de Natal está a votação para decidir quem vai liderar o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), partido que governa a África do Sul.

Na América Latina, a política está em foco novamente com a eleição de Sebastián Piñera para presidência do Chile e a luta do presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, para permanecer no poder.

Em outros lugares, há uma eleição fundamental em Gujarat, estado de origem do primeiro-ministro indiano Modi, e a Arábia Saudita deve divulgar seu orçamento de 2018.

Além disso, haverá uma série saudável de reuniões de bancos centrais em Taiwan, República Tcheca, Tailândia, Marrocos, Hungria e Moçambique.

África do Sul

A volatilidade do rand disparou ao patamar mais elevado desde a crise financeira de 2008 antes da votação que escolherá o sucessor de Jacob Zuma como chefe do ANC, que governa a África do Sul.

A moeda do país caminha para um pico de três meses em relação ao dólar enquanto representantes na conferência do ANC se preparam para eleger um novo líder. Os traders apostam que Cyril Ramaphosa ganhará a eleição porque obteve mais indicações da câmara que sua adversária, Nkosazana Dlamini-Zuma.

Arábia Saudita

O maior exportador mundial de petróleo anunciará seu orçamento de 2018 na terça-feira. Os traders estarão atentos a como o reino planeja reduzir seu déficit, reanimar o crescimento e impulsionar o setor privado. O risco político cresceu no reino neste ano, com a prisão de dezenas de príncipes e empresários, uma briga com o vizinho Qatar e uma crescente tensão com o Irã.

Chile

O bilionário ex-presidente Sebastián Piñera, favorito do mercado, venceu o segundo turno da eleição presidencial do Chile, que o colocou novamente no comando do país mais rico da América Latina após quatro anos de crescimento anêmico que instigaram milhões de eleitores para seu projeto favorável às empresas. Os ativos chilenos caíram no final de novembro depois que os surpreendentes resultados da eleição frustraram as expectativas de que Piñera ganharia facilmente o segundo turno.

Peru

O Congresso votou a favor de uma moção para submeter o presidente Kuczynski a um processo de impeachment depois que ele se recusou a renunciar por seus vínculos com empresas que receberam pagamentos da construtora brasileira Odebrecht. O sol peruano sofreu na sexta-feira a maior queda em mais de quatro anos, e o custo para garantir a dívida do país contra calote chegou ao nível mais alto desde setembro.

O Congresso voltará a se reunir na quinta-feira para ouvir a defesa de Kuczynski e votar o impeachment.

Índia

Os primeiros resultados de uma eleição em Gujarat mostram que o partido do primeiro-ministro Narendra Modi deve voltar ao poder em seu estado natal. O Partido Bharatiya Janata liderava com 99 cadeiras na legislatura de Gujarat, de 182 membros, até às 15h40, horário local. Esta eleição é considerada um sinal do que acontecerá na votação nacional.

A vitória do partido deixaria a salvo um programa de reforma que incentivou investidores estrangeiros a injetar US$ 31 bilhões líquidos nos títulos e ações do país neste ano até quinta-feira.

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