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Bancos Centrais empregam big data para decidir políticas

Jeanette Rodrigues e Alessandro Speciale

(Bloomberg) -- Bancos centrais do mundo inteiro criaram ou criarão departamentos para adotar big data para tentar entender melhor as economias que administram.

"Issac Asimov disse uma vez: 'Eu não tenho medo de computador, mas da falta deles", disse em discurso recente David Hardoon, diretor de dados da Autoridade Monetária de Cingapura. "Agora estamos começando a conseguir ferramentas, infraestrutura e conjuntos de habilidades necessários para aproveitar o poder da ciência de dados e destravar conhecimentos, melhorar a vigilância de riscos, melhorar o compliance regulatório e transformar nossa maneira de trabalhar."

Autoridades como Hardoon utilizam recursos disponíveis para todos como Google Trends e sites de empregos para ajudar a "nowcast" (projetar instantaneamente) suas economias e dados confidenciais como cadastros de crédito que podem ajudar a identificar um banco em dificuldades. A compilação de microdados aumentou após a crise financeira, quando as autoridades perceberam que não tinham a profundidade de informação necessária para tomar decisões adequadas.

A seguir, um panorama de como os bancos centrais do mundo usam ou planejam usar big data:

Japão

O Banco do Japão usa big data desde 2013 para analisar estatísticas econômicas. A instituição começou superando as análises privadas na precisão de suas projeções para o PIB e evoluiu até criar um índice experimental próprio, que levou o governo a avaliar se está subestimando o crescimento.

China

O Banco Popular da China informou em maio que usará mais big data, inteligência artificial e computação em nuvem para aumentar sua capacidade de reconhecer, prevenir e reduzir riscos financeiros de vários setores e mercados. Em geral, os órgãos reguladores da China têm se mantido longe das inovações em tecnologia financeira, que geraram sucessos como a Ant Financial de Jack Ma, mas também problemas, como a fraude com créditos on-line. A China tomou sua mais nova medida em maio, quando deixou de autorizar novos microcredores on-line.

EUA

A presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, declarou neste ano que os funcionários do banco central americano estão "animados com o big data e querem encontrar maneiras de usá-lo". Mas ela também deixou claro que a decisão sobre políticas ainda depende -- e continuará dependendo por um tempo -- das sequências tradicionais de dados.

Zona do euro

O BCE emprega big data desde 2013. As informações sobre cerca de 40.000 transações diárias do mercado monetário formarão a base para uma taxa de referência alternativa à medida que as referências tradicionais forem perdendo fiabilidade. A instituição também comprou um grande conjunto de preços de compras de consumidores reais e está analisando maneiras de rastrear a internet para medir a inflação em tempo real.

--Com a colaboração de Suttinee Yuvejwattana Karlis Salna Xiaoqing Pi James Mayger Karl Lester M. Yap Michelle Jamrisko Christopher Condon e Jill Ward

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