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Como restaurantes podem evitar processos por assédio sexual

Kate Krader e Chris Rovzar

(Bloomberg) -- A existência de abusos nos bastidores de restaurantes não é novidade. Dentro da comunidade de chefs, a novidade é que as pessoas se surpreendam ao ouvir falar disso.

Ainda não se sabe a real dimensão do problema, embora ela se insinue em detalhes sobre o comportamento de algumas das personalidades mais famosas do setor nos EUA, como o dono do Spotted Pig, Ken Friedman, e os chefs John Besh e Mario Batali. Os relatos incluem incidentes de apalpação, perseguição, abuso e até mesmo chantagem. Quase todos concordam que isso é apenas o começo.

O preço potencial desses casos de assédio para restaurantes é bastante grande. Em 2014, P.F. Chang's pagou quase US$ 1 milhão a duas mulheres por denúncias de assédio. Além dos pagamentos, as marcas enfrentam danos colaterais: os produtos de Batali, como o molho de tomate e os livros de receitas, foram retirados das prateleiras da Wal-Mart Stores, da Target e até da Eataly, na qual Batali detém participação acionária.

De acordo com Myles Share, da Myles Share and Associates, um dos maiores fornecedores de seguros para restaurantes de Nova York, o cenário mudou drasticamente ? de forma duradoura, ele espera ? depois da recente onda de escândalos. "Na última década, posso contar em uma mão o número de processos de assédio sexual que cobri. Depois da semana passada, as coisas serão diferentes", disse Share. Ele prevê que o seguro de responsabilidade por práticas de funcionários (EPLI), que cobre acusações de assédio sexual, discriminação e salários, além de honorários legais por hora, se tornará muito mais popular. Atualmente, a cobertura EPLI custa pelo menos US$ 100 por empregado por ano; para uma empresa com 100 funcionários, o seguro custaria no mínimo US$ 10.000, anualmente. "Cinco anos atrás, 20 por cento de nossos clientes tinham cobertura EPLI", diz Share. "No final de 2018, eu diria que 80 por cento de nossos clientes terão cobertura garantida." O consultor de restaurante Stephen Loffredo, da Seasoned Hospitality Strategy and Management, observa que o valor de US$ 100 por pessoa pode ser maior caso existam acordos anteriores.

Loffredo dá aos clientes um manual de 60 páginas que inclui modelos proprietários com cláusulas de assédio sexual sobre como denunciar qualquer comportamento inadequado à gerência. Ele tem uma versão desse manual desde que abriu seu antigo restaurante, Zoe, em 1992, em Nova York. "Eu vim da indústria hoteleira, onde esse tipo de documento era padrão. A cada dia, ele se torna mais necessário nos restaurantes", diz ele. "Agora ? até mesmo em operações pequenas e informais ? você precisa ter políticas [de recursos humanos] em vigor. Isso se tornou imprescindível."

Nem todas as empresas de restaurantes acreditam que mais regras e cobertura de seguro são a resposta; a Union Square Hospitality Group, de Danny Meyer, uma empresa que enfatiza expressamente o bem-estar dos funcionários, optou por iniciar mesas redondas após o surgimento das denúncias. A companhia organizou recentemente a primeira delas, convidando mulheres e homens em todos os níveis para conversar com Meyer, com a chefe de cultura corporativa, Erin Moran, e com outros membros do comitê de gestão.

Outros chefs vinham trabalhado para estabelecer sistemas muito antes do recente surgimento de denúncias e relatos. Para Martha Hoover, da Patachou Restaurant Group em Indianápolis, o treinamento cultural é tão essencial que sua orientação chega a durar três semanas. Ele se concentra no respeito aos colegas. Antes de entrar no setor gastronômico, Hoover trabalhou na unidade de crimes sexuais do Ministério Público em Indianápolis. "Estou plenamente ciente de como as mulheres são tratadas e de como o sistema de restaurantes raramente as protege", disse ela. "Investi no atendimento para conservar funcionárias e garantir que todas se sintam seguras."

A chave para a sua filosofia é a resposta imediata, além da intensidade que vem de perseguir crimes. "Todos devemos parar de dizer: 'Sinto muito por você se sentir ofendida'. Minha postura é: 'Você foi ofendida; vamos lidar agora mesmo com a pessoa que a ofendeu.'"

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