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FMI alerta para revés nos títulos de mercados emergentes

Natasha Doff

(Bloomberg) -- Trata-se de uma das apostas mais populares do mercado financeiro internacional ? e por bom motivo. Mas as taxas de retorno estonteantes e a enxurrada de dinheiro na direção dos mercados emergentes colocaram essa classe de ativos à beira do precipício.

Após diversas tentativas que não foram adiante, os economistas preveem que 2018 finalmente será o ano em que os custos de captação subirão significativamente. O Fundo Monetário Internacional alerta que pode ser o ponto de virada para fundos de títulos emitidos por países emergentes, que registraram a maior entrada anual de recursos desde a crise financeira.

"É um equilíbrio cada vez mais desconfortável", afirmaram em relatório estrategistas do Société Générale, incluindo Jason Daw. "Eventualmente, haverá um momento Minsky que prejudicará partes do complexo de mercados emergentes", eles escreveram, se referindo à teoria do economista Hyman Minsky, de que longos períodos de especulação acabam desembocando em crises.

Os investidores despejaram aproximadamente US$ 75 bilhões em fundos de títulos de mercados emergentes neste ano, animados pelos bancos centrais, que adiaram a redução do estímulo monetário que elevou o fluxo de liquidez para economias em desenvolvimento na última década. A aceleração do crescimento global tirou da recessão países como Rússia, Argentina e Brasil e aumentou o otimismo. A taxa de retorno dessa aplicação chega a 19 por cento desde o final de 2015, enquanto o índice de crédito global avançou 12 por cento no período.

A normalização da política monetária vai diminuir os fluxos para fundos de mercados emergentes em US$ 70 bilhões nos próximos dois anos, de acordo com estimativas do FMI publicadas em um relatório assinado por Robin Koepke. O guardião da estabilidade financeira global alertou que o menor acesso ao capital estrangeiro também pode dificultar o financiamento e a rolagem de dívidas por nações em desenvolvimento.

Pouco mais da metade, ou US$ 1,2 trilhão, do estoque total da dívida externa de emissores emergentes vence até 2022, de acordo com dados da Bloomberg Intelligence.

No entanto, a saída projetada de capital dificilmente causará aumento da inadimplência porque a retomada do crescimento vai alimentar as receitas das empresas, afirmou Sacha Tihanyi, estrategista sênior de mercados emergentes da TD Securities, em Nova York.

"Contanto que o aumento dos custos de financiamento seja causado pelo crescimento econômico e pela alta de juros pelo Fed por razões positivas, é provável que isso seja compensado", afirmou Tihanyi. "Eu não me preocuparia demais com os emissores corporativos de mercados emergentes tendo problemas para refinanciar ou honrar o serviço de suas dívidas em moeda forte."

Testes de estresse conduzidos por economistas do banco central dos EUA, o Federal Reserve, para um estudo divulgado em junho concluíram que companhias de países emergentes dependem menos de captações em moeda forte do que em crises financeiras anteriores e que o risco imposto pelo descasamento cambial ficou menos agudo.

O ritmo gradual de normalização monetária é "crucial" para assegurar a capacidade dos mercados emergentes se ajustarem à redução das entradas de capital, de acordo com Koepke, do FMI. A expectativa é que os custos de captação nas economias avançadas subam pelo menos 1 por cento no ano que vem. Seria o maior aumento desde 2006. O Banco Central Europeu deve diminuir as compras de títulos e o Fed reduzirá seu balanço patrimonial.

"Mesmo retiradas limitadas de capital estrangeiro podem resultar em estresse significativo para tomadores de empréstimos de países emergentes se ocorrerem durante período relativamente curto", afirmou Koepke.

--Com a colaboração de Sid Verma

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