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Rosas africanas pegam carona de avião para chegar aos EUA

Carolina Millan e Nizar Manek

19/12/2017 14h56

(Bloomberg) -- O crescente setor de produção de flores da Etiópia está de olho nos EUA e pretende acabar com o domínio dos produtores latino-americanos que fornecem rosas e outras flores para a maior economia do mundo.

A estatal Ethiopian Airlines Enterprise está estudando a implementação de voos de carga para Miami -- o principal ponto de entrada para as importações de flores dos EUA -- Los Angeles ou Nova York, disse o gerente regional Girum Abebe em uma entrevista. A empresa atualmente só transporta flores para lá no compartimento de bagagem de aviões de passageiros.

A Etiópia se tornou uma força importante na floricultura global nas últimas duas décadas, explorando um clima tropical de alta altitude que fornece luz natural durante todo o ano, além de dias quentes e noites frias, o ideal para o cultivo das plantas. As condições equivalem às encontradas nos Andes e produtores do Equador e da Colômbia atualmente dominam as exportações de flores para os EUA.

"Há 10 ou 15 anos a Etiópia não exportava nem uma rosa, mas agora conquistamos uma posição no mercado mundial", disse Girum. "A América do Norte tem sido o principal importador de produtos de horticultura de outras partes do mundo, então queremos uma fatia disso."

As exportações de flores etíopes atualmente se concentram na Europa e transformaram o país no segundo maior produtor da África, depois do Quênia, e no quarto maior do mundo, de acordo com uma pesquisa do Rabobank com base em números de 2015. Cerca de 80 por cento da produção etíope é levada para a Holanda, o centro do comércio mundial de flores, e reexportada a partir dali.

'Flores maiores'

"A maioria das pessoas não sabe, mas o mercado de flores é global", disse Cindy van Rijswick, analista de floricultura do Rabobank em Amsterdã. "A Etiópia está se saindo muito bem porque seus custos trabalhistas são um pouco mais baratos do que os do Quênia e seu clima é ainda melhor, produz flores maiores."

As vendas de flores europeias permaneceram estáveis nos últimos anos, o que incentivou os produtores a analisar oportunidades de penetrar nos mercados transatlânticos, disse ela.

A expansão dos voos para a América do Norte exigirá uma revisão dos tratados de serviço aéreo existentes entre a Etiópia e os EUA e o Canadá, disse Girum, que falou em Buenos Aires e supervisiona a unidade latino-americana da empresa. A Lei de Crescimento e Oportunidades para a África, cujo objetivo é fomentar o comércio dos EUA com a região subsaariana, ajudou a incentivar as exportações de flores em uma base limitada e foi prorrogada por 10 anos em 2015.

Concessão de terras

A Etiópia pretende aumentar os ganhos cambiais com flores e outras plantas, de US$ 280 milhões por ano atualmente para mais de US$ 1 bilhão, de acordo com a Associação Etíope de Produtores e Exportadores de Horticultura (EHPEA, na sigla em inglês).

Para conseguir isso o governo planeja liberar mais 6.100 hectares de terras dedicadas principalmente à floricultura -- quase quatro vezes a área cultivada atualmente -- e abrir o mercado ao desenvolvimento estrangeiro, de acordo com o diretor executivo da EHPEA, Tewodros Zewdie. Grupos holandeses, alemães, franceses, quenianos e também locais estão realizando estudos e até agora há "interesse com compromisso" por 1.500 hectares, disse ele.

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