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CEOs envelhecem e investidores querem saber mais sobre sucessão

Jeff Green

20/12/2017 14h25

(Bloomberg) -- O falecimento no mesmo dia de dois CEOs idosos ? ícones do setor ferroviário e bancário ? evidencia por que alguns investidores e especialistas em governança querem que as empresas divulguem mais sobre os planos de sucessão e o estado de saúde de seus diretores.

Hunter Harrison, da CSX, tinha 73 anos e faleceu no sábado, um dia depois que a notícia de sua licença médica provocou a maior queda em seis anos das ações da empresa ferroviária. O M&T Bank informou que Robert Wilmers faleceu "de forma repentina e inesperada" aos 83 anos ? poucos meses depois da morte de seu próprio presumível herdeiro.

Esses falecimentos ressaltam os problemas jurídicos, de privacidade e de governança relacionados com uma realidade da mudança demográfica: à medida que a população dos EUA envelhece, os caciques das corporações americanas também envelhecem. A média de idade de um CEO aumentou 4 por cento na última década e houve pelo menos uma mudança por questões de saúde nas empresas do índice Standard & Poor's 500 em cada um dos últimos três anos, de acordo com a empresa de recrutamento de executivos Spencer Stuart.

"Estamos enfrentando um novo paradigma de trabalho", disse Davia Temin, chefe da empresa de gerenciamento de crises Temin & Co., com sede em Nova York. "Se estiverem fazendo o que gostam de fazer, a maioria das pessoas não vai abrir mão disso por vontade própria. Isso significa que elas vão trabalhar mais tempo e, talvez, com um pouco mais da ilusão de que a morte não se aplica a elas."

As empresas podem ser obrigadas a entrar em ação à medida que a ilusão desvanece. Mesmo com o falecimento de Wilmers e de Harrison, dados compilados pela Bloomberg ainda mostram que há 50 CEOs no S&P 500 com 65 anos ou mais. Dezessete dessas pessoas têm idade superior a 70 e três, incluindo Warren Buffett, têm mais de 80 anos.

Plano de contingência

Como a morte é imprevisível, a sucessão é cada vez mais importante, disse Temin. Primeiro, uma empresa precisa ter um plano de comunicação claro para qualquer contingência, inclusive doença e morte, e ter um plano "pronto praticamente de imediato" para nomear o próximo CEO, disse ela. O CEO precisa superar a apreensão de discutir quem será seu substituto muito antes de estar pronto para sair, disse Temin.

Quando são contratados por empresas de capital aberto, os executivos fundamentais, como o CEO e os diretores, deveriam assinar documentos que autorizem a divulgação de problemas de saúde a critério do conselho, disse Allan Horwich, sócio da Schiff Hardin e professor de direito da Universidade Northwestern. Ele também propôs modificar as regras da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) para exigir especificamente a divulgação de quaisquer implicações de saúde que possam afetar a capacidade de um executivo para administrar a empresa nos dois anos seguintes.

Não houve nenhuma medida formal para mudar as regras da SEC e qualquer "pressão para alterar as regras deve vir do mercado", disse Tom Lin, professor de direito da Universidade Temple, que pesquisou problemas de privacidade e divulgação sobre CEOs. Francamente, disse ele, uma razão pela qual não há uma orientação clara é que alguns CEOs são menos importantes que outros para sua empresa ou setor.

"Nem todos os CEOs são Warren Buffett ou Steve Jobs", disse Lin.

--Com a colaboração de Thomas Black Cynthia Koons Jenny Surane e David Voreacos

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