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Festa de arromba nos mercados emergentes ainda não terminou

Bloomberg News

20/12/2017 12h49

(Bloomberg) -- Os investidores mais otimistas continuarão em vantagem nos mercados emergentes em 2018, mas alguns ativos podem se deparar com a realidade.

Títulos e ações emitidos por países em desenvolvimento continuarão avançando, superando seus pares nas nações desenvolvidas também no ano que vem, de acordo com uma sondagem da Bloomberg junto a 20 investidores, traders e estrategistas. Já as moedas podem penar para manter os ganhos. A pesquisa foi realizada entre 5 e 14 de dezembro.

As medidas do Federal Reserve, o banco central dos EUA, continuarão essenciais para determinar o desfecho do que já configura o maior ganho nas bolsas emergentes em oito anos. Os riscos geopolíticos serão menos relevantes para os investidores, que devem voltar suas atenções para as decisões do presidente americano, Donald Trump, e para as perspectivas da economia chinesa, a segunda maior do mundo.

"O ambiente para os mercados emergentes foi ótimo em 2017, com fatores de Cachinhos Dourados como crescimento econômico e inflação baixa em países industrializados", disse Hideo Shimomura, gestor-chefe de fundos da Mitsubishi UFJ Kokusai Asset Management, em Tóquio, que supervisiona o equivalente a US$ 114 bilhões. "A disparada dos mercados emergentes que observamos neste ano provavelmente se estenderá para 2018, mas após um período de crescimento forte e inflação baixa, algum ajuste será inevitável."

Os ativos emergentes foram os queridinhos dos investidores em 2017, oferecendo rendimentos generosos e perspectivas de crescimento. Essa classe de ativos superou a retórica protecionista de Trump e alarmes geopolíticos que soaram desde o Oriente Médio até a Península Coreana.

Embora as ações e moedas de nações em desenvolvimento estejam prestes a encerrar o melhor ano desde 2009, a expectativa é que os investidores se tornem mais seletivos em 2018. O aperto monetário pelo Fed tende a diminuir o interesse pelos mercados emergentes.

Repetindo o resultado apurado em outubro, os observadores do mercado continuam apontando o Fed e as medidas de Trump como determinantes dos movimentos dos ativos dos países em desenvolvimento no ano que vem.

A China - onde o governo se empenha em uma batalha contra o endividamento e o presidente Xi Jinping se consolida no poder - subiu no ranking de fatores determinantes.

Olhando adiante, o peso e os títulos do México e as ações de empresas brasileiras foram listados como os ativos emergentes favoritos. Já a lira e as ações da Turquia caíram na preferência dos investidores por causa da incerteza política persistente.

A lira deve terminar o ano como uma das moedas de pior desempenho entre os emergentes e continuar em baixa em 2018. A taxa de câmbio se depreciou para o menor nível em registro após o presidente Recep Tayyip Erdogan criticar o banco central em novembro, afirmando que a instituição estava na "trajetória errada" no combate à escalada da inflação.

De modo geral, os astros continuarão alinhados em termos macroeconômicos. A expectativa é que o crescimento global se mantenha firme e a inflação permaneça contida, segundo Colin Harte, gestor de fundos e estrategista de soluções multimercado em Londres da BNP Paribas Asset Management, que supervisionava o equivalente a US$ 673 bilhões no fim de setembro.

"O ambiente de Cachinhos Dourados será formado por bancos centrais que continuarão com políticas monetárias de acomodação e seguem as funções de reação existentes", ele explicou.

--Com a colaboração de Daisuke Sakai

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