ipca
-0,09 Ago.2018
selic
6,5 19.Set.2018
Topo

Bilionário russo chama Sotheby's para briga no mundo da arte

Stephanie Baker e Hugo Miller

21/12/2017 13h26

(Bloomberg) -- O bilionário russo Dmitry Rybolovlev estava buscando grandes obras de arte quando um negociante suíço enviou um e-mail à sua equipe sobre a oportunidade de ver "uma bomba de beleza e sensualidade". O russo foi de avião particular para Viena e foi levado para ver um quadro que retrata mulheres flutuando em um mar dourado, "Serpentes Aquáticas II", de Gustav Klimt.

Pouco depois daquela exposição, realizada em setembro de 2012, o russo decidiu comprar o quadro. O acordo rendeu ao negociante suíço, Yves Bouvier, uma comissão de 2 por cento. No entanto, segundo a equipe jurídica de Rybolovlev, a venda do Klimt implicava mais do que o que foi informado ao bilionário naquele momento ? uma revelação que agora poderia meter a Sotheby's, uma das maiores casas de leilão do planeta, no maior escândalo internacional do mundo da arte.

Um pequeno grupo de pessoas compareceu à exposição, incluindo um homem a quem, segundo os assessores de Rybolovlev, o russo não foi apresentado. Rybolovlev diz que só depois soube de quem se tratava: Samuel Valette, vice-presidente de vendas privadas da Sotheby's em todo o mundo.

Aparentemente, a exposição em Viena foi a primeira vez em que os caminhos de Valette e Rybolovlev se cruzaram. No entanto, o executivo da Sotheby's também desempenhou um papel em outras vendas que envolveram o bilionário russo, segundo sugerem e-mails e documentos analisados pela Bloomberg. Valette escreveu avaliações otimistas, que Bouvier encaminhou para a equipe de Rybolovlev, sobre algumas das mesmas obras de arte que Bouvier comprou de forma privada através da Sotheby's e depois vendeu para o russo a preços mais elevados.

Poucas semanas depois da exposição de Klimt, Rybolovlev decidiu comprar de Bouvier o quadro por US$ 183 milhões e pagou um depósito, de acordo com uma fatura do acordo. Ao mesmo tempo, Bouvier estava negociando a compra do quadro com vendedores privados através da Sotheby's por US$ 112 milhões, de acordo com cartas e e-mails analisados pela Bloomberg.

Este e outros aumentos de preço supostamente não revelados estão no centro de uma batalha judicial internacional sobre a aquisição de mais de três dúzias de obras de Da Vinci, Picasso, Monet e outros artistas por Rybolovlev. Ele alega que Bouvier se apresentou de maneira enganosa como um agente que negociaria com os vendedores em seu nome em troca de uma comissão, quando na verdade ele comprava as obras por conta própria, revendia-as ao russo e acabou embolsando uma diferença de US$ 1 bilhão.

O advogado de Bouvier, David Bitton, disse que seu cliente foi um revendedor nas transações, não o negociante de Rybolovlev, e que ele não fez nada de errado. O russo era um cliente experiente e disposto a pagar muito dinheiro para montar uma coleção de alto nível, disse Bitton.

Agora, os advogados de Rybolovlev argumentam em documentos apresentados nos EUA que a Sotheby's "ajudou e instigou" a fraude supostamente cometida por Bouvier. Eles pedem a divulgação dos documentos apresentados pela Sotheby's nos processos judiciais relativos à briga entre Rybolovlev e Bouvier em Mônaco, Cingapura e França. Esses documentos não foram divulgados. Um juiz federal em Manhattan proibiu que os documentos fossem publicados em outras jurisdições.

A casa de leilões afirma que nem ela nem Valette fizeram nada de errado. A Sotheby's vendeu obras para Bouvier sem outros objetivos e não tinha conhecimento de nenhum acordo entre Rybolovlev e Bouvier, segundo um comunicado. Sotheby's e Bouvier juntaram forças em Genebra na intenção de que o tribunal declare que não fizeram nada de errado, de acordo com um documento apresentado conjuntamente em 17 de novembro. A casa de leilões só soube por meio das notícias, muito depois das vendas, os montantes pelos quais Bouvier havia revendido as obras de arte, afirmou a Sotheby's.

(Bloomberg) -- O bilionário russo Dmitry Rybolovlev estava buscando grandes obras de arte quando um negociante suíço enviou um e-mail à sua equipe sobre a oportunidade de ver \"uma bomba de beleza e sensualidade\". O russo foi de avião particular para Vi","image":"","date":"21/12/2017 13h44","kicker":"Bloomberg"}}' cp-area='{"xs-sm":"49.88px","md-lg":"33.88px"}' config-name="economia/economia">

Mais Economia