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Fungo ameaça futuras safras em meio a ineficácia de defensivos

Tatiana Freitas

(Bloomberg) -- É um fungo difícil de conter.

Durante quase duas décadas, uma doença conhecida como ferrugem asiática esteve presente nas plantações de soja em todo o Brasil ? o maior exportador dessa oleaginosa utilizada em inúmeros produtos de consumo. O fungo causador dessa doença se tornou tão resistente aos produtos químicos destinados a eliminá-lo que muitos agricultores pulverizam várias vezes a plantação durante as temporadas de cultivo e, mesmo assim, sofrem perdas de produção.

O Brasil se tornou o maior mercado do mundo para os fungicidas à medida que os produtores intensificaram o combate à ferrugem asiática e a outras doenças que atacam as plantações. As vendas desses produtos chegaram a US$ 3,2 bilhões no ano passado, três vezes mais do que uma década antes. Mas os fundos se adaptaram e se tornaram mais resistentes, frustrando produtores e cientistas.

"O processo de resistência está sendo mais rápido do que as pesquisas", disse Cláudia Godoy, que estuda a ferrugem asiática na soja para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Fracasso do fungicida

Rafael Fontana observou o custo crescente dessa praga no ano passado em sua fazenda de 500 hectares em Tupanciretã, no Rio Grande do Sul. Os rendimentos em suas plantações de soja ficaram 10 por cento abaixo do projetado, apesar de cinco aplicações de fungicidas, disse ele.

"O fungo surgiu muito rapidamente e fugiu do controle", disse Fontana, de 38 anos. "Até a terceira aplicação do fungicida, a safra estava indo bem. Depois disso, foi muito difícil parar."

Até agora, as doenças provocadas por fungos não impediram o Brasil de se tornar uma superpotência global de alimentos como soja, café, açúcar e suco de laranja. O agronegócio representa um quinto da economia do País e quase metade das exportações. Mas cresce o receio de que o uso de fungicidas na soja ? a maior cultura do Brasil ? tenha chegado ao limite, pelo menos enquanto novos produtos químicos não forem desenvolvidos. Há também sinais de que o clima e a direção dos ventos dificultem o controle da propagação da doença a partir dos países vizinhos.

Safra de 2018

Os agricultores brasileiros começaram a plantar a safra desta temporada em outubro e a maioria provavelmente começará a colher em fevereiro e março. Os analistas estarão monitorando as ocorrências de ferrugem asiática mais atentamente nesta temporada, porque as condições climáticas estão mais favoráveis à doença do que no ano anterior, disse Godoy, por telefone, de Londrina, no Paraná.

Quase 56 por cento dos gastos com fungicidas no ano passado foram destinados à soja, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), uma associação que reúne produtores globais como Syngenta, Bayer e BASF. O milho ficou em segundo lugar, com 10 por cento, seguido da cana-de-açúcar, com 9,6 por cento. O Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo e só fica atrás dos EUA em remessas de milho.

--Com a colaboração de Fabiana Batista

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