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Outro Da Vinci multimilionário está escondido à vista de todos

Katya Kazakina

21/12/2017 15h32

(Bloomberg) -- Antes da venda em leilão pelo valor recorde de US$ 450,3 milhões, o quadro Salvator Mundi, de Leonardo da Vinci, foi promovido em todo o mundo como "o último Da Vinci" em mãos privadas.

Mas há outro por aí -- ou dois, até. E pelo menos um marchant acredita que poderiam valer até US$ 200 milhões cada.

Ambas são pinturas religiosas de menor escala que retratam a mesma imagem: a Virgem Maria com o menino Jesus no colo. O bebê segura um fuso, uma bobina para enrolar fios, em forma de cruz. A ferramenta inspirou o nome que compartilham, A Virgem do Fuso.

"Ambos estão em mãos privadas", disse Martin Kemp, estudioso de Da Vinci e professor emérito de pesquisa em História da Arte da Universidade de Oxford, no Reino Unido. "Conheço os dois proprietários." (A Christie's afirma que não comenta sobre obras não consignadas e sustenta a apresentação do Salvator Mundi).

Uma dessas pinturas, conhecida coloquialmente como A Virgem do Fuso versão Buccleuch, está em exibição na Galeria Nacional da Escócia desde 2009. Compõe um empréstimo de longo prazo do Duque de Buccleuch (por meio de um trust familiar), cuja família é proprietária da obra há 250 anos, segundo o museu. A pintura foi roubada em 2003 do Castelo de Drumlanrig, na Escócia, pertencente ao duque, e recuperada quatro anos depois. Na época, foi avaliada em US$ 65 milhões.

Tecnicamente, a pintura pode ser vendida, segundo Harris Brine, assessor de imprensa do museu de Edimburgo. "Mas os administradores do Buccleuch Living Heritage Trust nos indicaram que não têm intenção de vender a pintura", acrescentou Brine.

Procurado por meio do museu, o presidente do trust, Richard Scott, 10º duque de Buccleuch, preferiu não comentar.

Kemp concordou que a venda pela família seria "imensamente improvável". "A família Buccleuch é uma das maiores proprietárias de terras do Reino Unido. Colocam-se como guardiões da nação. As casas deles são abertas ao público", disse ele. "Mas nunca podemos ter certeza."

A segunda pintura, conhecida como A Virgem do Fuso versão Lansdowne, em alusão aos nobres ingleses que eram seus donos nos séculos 18 e 19, foi vendida pela última vez em 1999 pela Wildenstein & Co, de Nova York. Acredita-se que tenha permanecido na mesma coleção privada, disse Kemp, que preferiu não revelar o nome do proprietário.

Sinais de Leonardo

Os estudiosos acreditam que uma das pinturas foi encomendada por Florimond Robertet, um dos principais administradores da corte do rei Luís XII da França, antes de Da Vinci deixar Milão, em 1499.

A outra pintura permaneceu no estúdio do artista e foi listada em seu inventário após sua morte, disse Kemp.

"A análise técnica mostra que Leonardo trabalhou simultaneamente em ambas as imagens", disse Kemp, que escreveu vários livros sobre o pintor, incluindo um sobre as Virgens do Fuso. "Podemos ver nos desenhos que ele se envolveu ativamente. Os cabelos, os olhos úmidos -- podemos dizer que era Leonardo."

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