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Mutuário dos EUA é a grande aposta do mercado global de títulos

Claire Boston

26/12/2017 18h05

(Bloomberg) -- Uma das melhores operações no mercado global de renda fixa em 2017 pode se repetir em 2018: apostar que os mutuários dos EUA conseguirão pagar as prestações da casa própria.

Neste ano, gestores de recursos investiram pesado em instrumentos novos emitidos pelas agências americanas Fannie Mae e Freddie Mac chamados instrumentos de "transferência de risco de crédito". Um dos motivos é que esses papéis pagam taxas flutuantes ? uma dádiva em vista da projeção do banco central, o Federal Reserve, de três acréscimos na taxa básica de juros no ano que vem. Investidores que compraram por muito pouco títulos atrelados a hipotecas de alto risco após a crise do setor imobiliário agora estão recebendo aproximadamente US$ 80 bilhões em principal por ano e estudam onde colocar esse dinheiro.

"Foi um ano incrível para o segmento", comemorou Dave Goodson, responsável por títulos garantidos por hipotecas na Voya Investment Management, que administra US$ 230 bilhões. "Está cada vez mais estabelecido. Gostamos disso."

Os instrumentos de transferência de risco de crédito mais agressivos proporcionaram retorno superior a 10 por cento nos primeiros 11 meses do ano, de acordo com o Bank of America, superando o retorno de 7,2 por cento dos títulos de alto rendimento emitidos nos EUA e o retorno de 5,9 por cento dos títulos corporativos com grau de investimento.

Em 2018, alguns desses instrumentos podem pagar 3 pontos percentuais a mais do que a dívida pública, segundo analistas do Morgan Stanley. Eles recomendam alocação nesses papéis, listados entre as principais apostas do banco em 2018 no mercado global de financiamentos estruturados.

Quem compra esses papéis se coloca entre os primeiros a perder quando os mutuários ficam inadimplentes. Porém, com a taxa de desemprego em apenas 4,1 por cento em novembro e a economia crescendo a uma taxa anualizada superior a 3 por cento, é razoável esperar que esses mutuários continuarão pagando as prestações da casa própria, explicou Goodson. Ele prefere esses instrumentos a dívidas corporativas ou dívidas atreladas a imóveis comerciais, que podem enfrentar dificuldades mais cedo.

Aspectos técnicos também favorecem o bom desempenho desses títulos no ano que vem. Fannie Mae e Freddie Mac esperam vender aproximadamente US$ 13 bilhões em instrumentos de transferência de risco de crédito sob seus principais programas no ano que vem. Devem ser pagos em 2018 US$ 80 bilhões em principal das hipotecas de alto risco. Se apenas uma fração desse montante for direcionada ao segmento, os preços dos títulos devem subir, disse Michael Canter, responsável por títulos garantidos por ativos na AllianceBernstein, que administra US$ 549 bilhões.

"Com o encerramento das posições antigas em títulos atrelados a hipotecas, há mais investidores procurando ativos para ganhar exposição ao crédito residencial", disse Canter. "Esta é a maneira mais óbvia de fazer isso."

Fannie Mae e Freddie Mac começaram a emitir instrumentos de transferência de risco de crédito em 2013, como forma de transferir parte do risco aos contribuintes. As duas instituições protegem os empréstimos imobiliários de mutuários inadimplentes. Quando o governo americano assumiu ambas, durante a crise financeira de 2008, as obrigações delas passaram explicitamente para o governo. Anteriormente, o apoio dos contribuintes era somente implícito.

O segmento funciona da seguinte forma: Fannie Mae e Freddie Mac vendem instrumentos de transferência de risco de crédito atrelados a um conjunto de empréstimos imobiliários residenciais empacotados como garantia de títulos.

Quando ocorrem problemas nos empréstimos subjacentes, o principal dos detentores dos instrumentos de transferência de risco de crédito é usado para pagar os detentores dos títulos atrelados a hipotecas. Fannie Mae e Freddie Mac costumam ser as primeiras a sofrer as perdas, depois os detentores dos títulos sofrem parte das perdas subsequentes e as duas instituições absorvem as perdas restantes.

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