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Nota da Suzano contrasta com possível rebaixamento soberano

Gerson Freitas Jr.

26/12/2017 12h45

(Bloomberg) -- As fabricantes brasileiras de papel e celulose caminham para se consolidar no seleto grupo de empresas nacionais com grau de investimento, enquanto o País teme um novo rebaixamento em sua nota de crédito, já na categoria de risco elevado.

Na quinta-feira, a Fitch Ratings elevou a nota de crédito da Suzano para um nível acima do grau especulativo. A agência também revisou para positiva a perspectiva para a nota da Fibria, que já tinha grau de investimento. A decisão reflete a perspectiva de forte geração de caixa e redução do endividamento em meio a um cenário favorável para os preços da celulose, segundo a Fitch.

O Brasil vive um ambiente de incertezas para 2018, com o governo enfrentando dificuldades para fechar as contas e aprovar a reforma da previdência às vésperas do processo eleitoral. No entanto, as exportadoras de celulose parecem blindadas pela forte demanda da China em meio aos baixos estoques globais da commodity. Essas empresas também se beneficiariam de uma depreciação do real caso o cenário para o País piore.

O rendimento dos títulos da Suzano com vencimento em 2026, uma colocação de US$ 700 milhões, caiu para uma mínima de 4,56 por cento ? a taxa é apenas 0,3 ponto percentual acima do que pagam os títulos da dívida externa brasileira com prazo de 10 anos. Embora a Moody's limite a nota de crédito corporativa por causa da nota soberana, a S&P Global Ratings ainda pode conceder o grau de investimento à companhia.

A S&P tem perspectiva negativa para a nota soberana do Brasil. Na quarta-feira, a agência informou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que tomará uma decisão sobre rating nas próximas semanas, pois prefere evitar mudanças em notas soberanas em anos eleitorais, de acordo com uma pessoa a par da conversa e que pediu anonimato.

Expectativa do diretor financeiro

Com a melhora da nota pela Fitch, a Suzano poderá atrair uma base maior de investidores e obter financiamento mais barato em um momento em que considera expandir as operações por meio de aquisições ou da instalação de uma nova fábrica de celulose, segundo o diretor financeiro, Marcelo Bacci.

"Ter acesso a capital mais barato será muito importante para a empresa financiar esses projetos", disse Bacci em entrevista.

Com a percepção de risco menor, o rendimento dos títulos da Suzano e da Fibria deve ficar abaixo do rendimento da dívida soberana em 2018, principalmente se o Brasil sofrer outro rebaixamento, avalia Soummo Mukherjee, diretor-executivo da Mizuho Securities USA, em Nova York.

"A melhora da nota aconteceu antes do esperado, mas foi muito justa diante da perspectiva para 2018", afirmou Mukherjee em email. "O setor de celulose no Brasil é um dos nossos setores favoritos."

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