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O curioso caso da startup sem receita que aproveitou o bitcoin

Cory Johnson

27/12/2017 14h37

(Bloomberg) -- Prestes a completar um ano de funcionamento e com poucos resultados para mostrar, a UBI Blockchain Internet gerou um boom de ações com palavras da moda.

Ela se tornou uma das empresas de capital aberto mais valiosas no universo do bitcoin - superada apenas pela LongFin. Suas ações dispararam quase 1.000 por cento neste ano, e a UBI Blockchain está avaliada em US$ 1,2 bilhão. Agora, a empresa com sede em Hong Kong se cadastrou para vender mais 72,3 milhões de ações pertencentes a executivos, entre eles o CEO Tony Liu, segundo fatos relevantes.

Mas convencer possíveis acionistas a apostar em um modelo de negócios não testado poderia ser complicado para uma empresa com 18 funcionários, sem receita e cujos comunicados encaminhados ao órgão regulador mencionam um número de telefone desconectado. A volatilidade do bitcoin, visto como um símbolo das empresas que usam a tecnologia de blockchain, também não ajuda.

"O perfil desta empresa é assustador", diz Charles Lee, professor de Administração e Contabilidade da Universidade Stanford. "O blockchain está no centro das atenções agora. Mas o problema é que é difícil verificar qualquer coisa - a tecnologia, se a empresa realmente está na China. Com certeza você não quer essas ações."

O blockchain é um grande banco de dados disponível universalmente que mantém um registro digital das transações. Em apresentações à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês), a UBI Blockchain afirma que deseja aproveitar essa capacidade "para monitorar um alimento ou medicamento da fonte original até o consumidor final no contexto da Internet das Coisas". T.J. Jesky, o advogado da UBI no escritório de advocacia Jesky Law, explica que "a UBI Blockchain está no processo de construção de uma tecnologia para monitorar produtos farmacêuticos feitos na China do fabricante até o usuário final. A ideia é impedir a falsificação de produtos."

Futuros acionistas podem ter dificuldades para saber mais sobre a empresa por outros meios. Telefonemas ao número mencionado nas apresentações da empresa à SEC foram encaminhados a um número desconectado, e um telefonema ao escritório da UBI Blockchain em Nova York foi encaminhado para o celular de Hong Zhu, que aparece no documento sem nenhum título. Zhu, que venderá 250.000 ações classe C na oferta, não deu retorno a telefonemas com pedidos de comentários.

Os fatos relevantes mostram uma empresa com finanças fracas. A UBI Blockchain tem um déficit acumulado de US$ 6,3 milhões e apenas US$ 15.406 de caixa disponível. Ela gasta "aproximadamente US$ 220.000 por mês", segundo um documento S-1 apresentado em 21 de dezembro com os planos para vender ações. O documento acrescenta que "a diretoria não tem certeza de que a empresa será capaz de gerar receita suficiente nos próximos 12 meses para sustentar as operações".

Só oito funcionários da UBI Blockchain trabalham no "desenvolvimento de produto". A empresa afirma que espera contratar mais sete até o final do ano. O documento S-1 apresentado recentemente pela empresa menciona quatro executivos. Liu, 63, e o diretor Jun Min, 57, de Hong Kong, eram executivos da American Oriental Bioengineering, e Cosimo Patti, 66, de Cliffside Park, Nova Jersey, era um diretor independente nessa empresa.

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