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Nem uma onda de frio nos EUA consegue livrar gás de problemas

Naureen S. Malik

28/12/2017 15h13

(Bloomberg) -- Como nem uma onda de frio glacial nem uma demanda sazonal recorde conseguiram fazer com que os futuros do gás natural disparassem nos EUA, resta pouca esperança de que alguma outra coisa consiga isso em breve.

Em outras palavras, é preciso se acostumar ao trading de gás em uma faixa estreita, talvez durante anos, graças ao excesso de oferta. Os traders estão olhando além dos próximos 10 dias e projetam que o clima se tornará mais ameno e que a produção voltará a bater recordes históricos, disse Walter Zimmermann, chefe de análise técnica da ICAP Technical Analysis.

"Parece que o gás natural está condenado a uma faixa de preço", disse Zimmermann em entrevista na sede da Bloomberg em Nova York, na tarde de quarta-feira. "O clima é uma loucura, é perfeito, é realmente extraordinário. Esta deve ser a maior decepção do ano para os otimistas."

Neste ano, os preços do gás ficaram presos na faixa de trading mais estreita desde que a Bolsa Mercantil de Nova York lançou seus contratos futuros em 1990, a só US$ 1,046 por milhão de BTU. Até mesmo depois que uma onda de frio estimulou a demanda nos 48 estados da faixa continental dos EUA, que bateu recordes sazonais nesta semana, os futuros continuam abaixo de US$ 3.

Talvez o gás fique preso nessas faixas de trading apertadas durante vários anos, porque os preços são apoiados pelo aumento das exportações, mas são limitados pela oferta ampla, disse Zimmermann. Traders otimistas tiveram que lidar pela primeira vez com o fato de que os produtores podem fornecer mais oferta muito rapidamente graças a poços perfurados, mas incompletos, disse ele. Nos EUA, a quantidade de poços de petróleo e gás sem usar em regiões produtoras de xisto pulou para 7.354 em novembro, o número mais alto em dados do governo que remontam a 2014.

'Superabundância crônica'

"Para ser totalmente sincero, o gás natural é um mercado que sofre de superabundância crônica de oferta", disse Zimmermann.

Por causa deste problema fundamental do excesso de oferta, o gás dos EUA é um microcosmo das commodities no mundo, disse ele. Todos os principais recursos - como petróleo bruto, cobre e grãos - apresentam excedentes de oferta e todos desafiarão os recordes negativos de 2016, especialmente se a alta das ações fraquejar. Zimmermann projeta que as ações vão frear no primeiro trimestre, a partir de janeiro, o que derrubaria os preços das commodities de maneira geral.

O período prévio ao momento em que as ações superarão as commodities é uma "gigantesca espada de Dâmocles que paira sobre a energia", disse Zimmermann, em referência à metáfora mitológica de uma ameaça iminente que paira sobre nossa cabeça.

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