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Recuperação da Petrobras é esnobada por antiga apoiadora

R.T. Watson

28/12/2017 12h46

(Bloomberg) -- A Petrobras pode estar fazendo progressos com o plano de redução de dívidas, mas uma antiga acionista da gigantesca petroleira estatal não pretende voltar a apostar na empresa por enquanto.

A Aberdeen Asset Management, empresa escocesa de investimento em mercados emergentes que apoiou a Petrobras durante mais de uma década, abandonou a aposta em 2014 quando a petroleira brasileira passou a ser investigada na Operação Lava Jato. Desde então, o novo presidente da empresa leva adiante um plano para reduzir o endividamento da petrolífera vendas de ativos e parcerias.

Ainda assim, o retorno à Petrobras neste momento seria "uma aposta política" a menos de um ano das eleições presidenciais, segundo Peter Taylor, chefe de ações brasileiras da Aberdeen. "Mas daqui a 18 meses talvez não seja tanto", disse ele, em entrevista.

O vencedor da eleição presidencial é fundamental para o futuro da empresa porque os presidentes brasileiros normalmente escolhem quem dirige a empresa, controlada pelo governo por meio da maioria das ações com direito a voto. Apesar de não haver um favorito claro dos mercados entre os candidatos à presidência, pelo menos duas figuras destacadas já afirmaram que tentariam privatizar a Petrobras.

A eliminação da interferência do governo por meio da privatização seria significativa, disse Taylor, mas ele acredita que a empresa continuará sendo de propriedade estatal em um futuro próximo.

"A Petrobras sempre nos deu mais dores de cabeça por não ser uma aposta boa e simples no petróleo -- longe disso", disse Taylor. "Era uma aposta nas políticas do governo brasileiro."

O atrativo? "Tinha ativos invejáveis", disse ele.

Independentemente do destino, o CEO atual, Pedro Parente, pode ter dado uma ideia de como seria uma Petrobras mais independente. Recentemente a empresa se separou de sua rede de distribuição de combustíveis na maior oferta pública inicial desde 2013 como parte da iniciativa para reduzir bilhões de dólares em dívidas.

Com os esforços de Parente, em grande parte, muitos analistas já não mostram tanta cautela em relação à Petrobras quanto a Aberdeen. A empresa soma sete recomendações de compra, contra apenas duas em 2015, segundo os analistas monitorados pela Bloomberg. A expectativa de venda de cerca de US$ 10 bilhões em ativos e algumas melhorias operacionais são vistas como fatores positivos em relação à empresa em 2018, segundo uma nota recente dos analistas Luiz Carvalho e Julia Ozenda, do UBS.

Neste ano, a Aberdeen foi comprada pela Standard Life, uma firma escocesa de estratégia multiativos, para formar a Standard Life Aberdeen, uma das maiores gerenciadoras de investimentos do Reino Unido.

Por ora, Taylor espera aproveitar a recuperação econômica do Brasil para investir em setores como o bancário e o de varejo. Mas ele continua observando a Petrobras atentamente.

No passado, a Aberdeen precisou justificar por que continuou com a Petrobras, disse Taylor. "Agora, temos que justificar por que não investimos nela."

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