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China se prepara para 'batalhas críticas' em 2018

Bloomberg News

02/01/2018 13h38

(Bloomberg) -- A economia chinesa começa 2018 enfrentando o que seus próprios líderes chamam de três anos de "batalhas críticas".

Essas lutas para combater a dívida doméstica, a pobreza e a poluição representam uma trindade de riscos para a segunda maior economia do mundo, mesmo antes de levar em conta o aumento das taxas de juros e as ameaças de guerra comercial dos EUA.

O ponto de partida da China é forte, sendo que o crescimento do ano cheio em 2017 deve registrar sua primeira aceleração desde 2010, mas projeta-se que a expansão vai se tornar mais lenta em 2018.

Como resultado, o governo de Xi Jinping está sinalizando que é otimista em relação a um desempenho econômico mais modesto, desde que seja possível progredir no âmbito de mais alto risco - a fragilidade financeira.

"Desequilíbrios econômicos significativos continuam a criar riscos de queda para a perspectiva de 2018", disse Rajiv Biswas, economista-chefe da Ásia-Pacífico da IHS Markit em Cingapura. "Os riscos para a economia chinesa permanecerão entre os principais riscos para a perspectiva de crescimento mundial em 2018, e a região Ásia-Pacífico é particularmente vulnerável às repercussões de uma desaceleração."

Essas repercussões não se materializaram e, na verdade, a atividade econômica está aguentando firme. O índice oficial de gerentes de compras para a produção fabril ficou em 51,6 em dezembro, sinalizando condições de melhoria. Novos pedidos de exportação fabril também subiram para um máximo de seis meses, de acordo com um subíndice.

O índice de gerentes de compras para a produção fabril do grupo de mídia Caixin, que é mais representativo de empresas menores, também mostrou um forte impulso, com uma leitura de 51,5 em dezembro que superou todas as estimativas.

No entanto, os números "provavelmente estão exacerbando o impulso, particularmente na construção", de acordo com um relatório de Freya Beamish, economista-chefe da Ásia da Pantheon Macroeconomics em Newcastle, Reino Unido. "O enredo do lucro parece estar se deteriorando, já que os aumentos de preço dos insumos continuam diminuindo."

Os analistas projetam que a expansão vai diminuir para 6,5 por cento - o ritmo mais lento desde 1990 - neste ano. A seguir, algumas das áreas que, segundo eles, têm o potencial de acelerar o crescimento econômico ou provocar turbulência no mercado.

Riscos financeiros

O Partido Comunista recentemente renovou sua promessa de prevenir e controlar o risco financeiro, afirmando que este é um desafio crucial para os próximos três anos. À medida que o sistema financeiro se abre mais para as empresas estrangeiras, o principal perigo é o coeficiente dívida/PIB, que caminha para mais de 320 por cento até 2022.

"Até mesmo sua própria máquina de propaganda admite que este é um problema tão grave que Pequim não espera nenhuma solução em menos de três anos", disse Pauline Loong, diretora administrativa da empresa de pesquisa Asia-Analytica em Hong Kong. "A instabilidade financeira é o problema central. É necessário resolver isso para aliviar a pressão sobre as saídas de capital, as complicações da desalavancagem, a fraqueza em bancos menores."

Desaceleração da construção

O endurecimento das regulamentações financeiras e ambientais para ajudar a reduzir a dívida pode causar tremores em 2018 que retardam a construção de moradia e infraestrutura, de acordo com Frederic Neumann, codiretor da pesquisa sobre a economia asiática do HSBC Holdings em Hong Kong.

"Uma desaceleração mais acentuada que o esperado na construção poderia pesar sobre a atividade geral, porque setores emergentes ainda não estão vigorosos o bastante para fornecer suficiente amortecimento", disse Neumann. "A maior fissura na economia chinesa é o setor de construção."

Briga comercial

O recente discurso sobre estratégia de segurança nacional do presidente dos EUA, Donald Trump, foi um "preparativo" para uma volta ao protecionismo, disse David Loevinger, ex-especialista sobre a China no Departamento do Tesouro dos EUA.

"No cardápio para 2018: muita carne vermelha para a base, e isso significa derrubar as importações", disse Loevinger, atualmente analista da TCW Group em Los Angeles. "Como a China também não resiste ao populismo nacionalista, os políticos chineses se sentirão obrigados a retaliar."

Fed, imposto

Se o Federal Reserve dos EUA aumentar as taxas de juros mais do que os mercados esperam e os cortes de impostos dependerem do crescimento subjacente de 3,2 por cento, o dólar poderia recuperar o fôlego e pressionar novamente o yuan e as saídas de capital, de acordo com George Magnus, associado do Centro sobre a China da Universidade de Oxford e ex-consultor do UBS Group.

"Se o Fed começar a elevar e o dólar entrar em uma sequência de alta, isso causaria grandes problemas", disse Christopher Balding, professor associado da HSBC School of Business na Universidade de Pequim, em Shenzhen.

Coreia do Norte

Se a tensão entre os EUA e a Coreia do Norte se transformar em um confronto mais significativo, haverá consequências profundas e de longo alcance, não apenas para a economia chinesa, mas também para toda a região Ásia-Pacífico, disse Zhu Ning, vice-diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Financeira da Universidade de Tsinghua, em Pequim.

--Com a colaboração de Yinan Zhao

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