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Cinco temores de uma economia global forte: Bloomberg View

Daniel Moss

02/01/2018 11h48

(Bloomberg) -- A economia mundial iniciou 2018 mais firme do que muitos economistas e investidores ousavam imaginar. O crescimento está se acelerando em toda parte e o medo da deflação desapareceu. Os bancos centrais estão saindo de cena sem assustar os mercados. O Japão não é mais usado como eufemismo para fracasso, a Europa exibe um vigor logrado a duras penas e a China não está saindo do prumo. Até o Brasil vai melhor das pernas.

O que pode dar errado? Listamos algumas possibilidades:

Será que o banco central dos EUA cometerá erros sob a batuta do novo presidente, Jerome
Powell?

Janet Yellen lidou impecavelmente com três acréscimos na taxa básica de juros e com o início da redução do balanço patrimonial do Federal Reserve. As tensões aumentarão se o desemprego continuar superando as projeções da instituição e a inflação continuar abaixo do previsto. No caso, o Fed pode ceder à tentação de subir os juros acima do esperado se a inflação der as caras. Isso seria um erro e um susto em investidores que basearam as cotações dos ativos em projeções de juros baixos.

Será que a economia chinesa vai se manter firme?

A expectativa era que a atividade se desacelerasse um pouco em 2017, mas não foi o que ocorreu, e isso ajudou a compor o panorama de força global. A maioria dos economistas prevê ligeiro desaquecimento em 2018, à medida que o governo direciona empresas estatais a reduzir o endividamento. No entanto, a implosão das dívidas que tantos temiam não aconteceu, dando à China flexibilidade para desempenhar um papel ainda maior na prosperidade global.

É preciso acompanhar os passos de Liu He, assessor econômico do presidente Xi Jinping que amealhou poder imenso sobre o aparato de políticas públicas. E que ninguém se surpreenda se o banco central tiver um novo comandante.

Será que as alíquotas tributárias para pessoas jurídicas ficarão cada vez menores?

Outros países desenvolvidos podem ser tentados a acompanhar ou até superar a redução da alíquota nos EUA para 21 por cento, sancionada pelo presidente Donald Trump em dezembro.

A carga tributária combinada das empresas americanas (em nível federal e estadual) ficará bem menor do que em diversos países do Grupo dos Sete, de acordo com Krishna Guha, da Evercore ISI. No mês passado, esta coluna ressaltou que o corte de impostos faz parte de uma transição global na direção do expansionismo fiscal. Foi dada a largada.

Trump será provocado?

Muito se falou sobre populismo e oposição ao livre comércio nos EUA. Porém, a eleição presidencial no México pode ameaçar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) tanto quanto a Casa Branca, que oscila entre hostilidade e ambivalência. Líder em intenções de voto, Andrés Manuel López Obrador, de esquerda, não hesitará em peitar Trump nas redes sociais. Dá para imaginar Trump se sentindo provocado e subitamente anunciando a intenção de abandonar o tratado comercial. Se os EUA saírem, diversas regiões agrícolas do país poderiam entrar facilmente em recessão.

Será que a política finalmente vai prejudicar o crescimento econômico?

Não foi somente nos EUA que os mercados e o crescimento econômico se sobrepuseram aos abalos geopolíticos de 2017. Indonésia e Malásia se preparam para eleições e forças políticas do Islã estão avançando nesses dois países onde a religião historicamente fica fora do governo.

Feliz Ano Novo.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e seus proprietários.

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