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Crédito e moeda digital podem ofuscar força da economia nos EUA

Joanna Ossinger

02/01/2018 11h52

(Bloomberg) -- Desequilíbrios financeiros, inclusive nos mercados de crédito e moedas digitais, colocarão em segundo plano a força da economia dos EUA em 2018, segundo o economista do Goldman Sachs Group, Jan Hatzius.

Para o novo ano, Hatzius prevê que o banco central (Federal Reserve) vai subir quatro vezes a taxa básica de juros, o crescimento médio do PIB vai se acelerar para 2,6 por cento, o desemprego vai recuar para 3,5 por cento e a curva de juros não vai se inverter.

Ele reiterou a expectativa de força para a economia de modo geral, mas fez alertas.

"O valor dos ativos - especialmente de crédito - subiu para níveis historicamente elevados", afirmou Hatzius no relatório "10 Perguntas para 2018", distribuído na sexta-feira. "Embora não vejamos o tipo de grandes expansões de crédito mais preocupantes para autoridades do Fed em termos de desequilíbrios financeiros, existem agora alguns sinais de comportamento especulativo nos mercados, como por exemplo, a valorização das moedas digitais."

O Goldman não é a única instituição a ressaltar os perigos das moedas digitais. O presidente do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, chamou a bitcoin de "fraude". A presidente do Fed, Janet Yellen, disse que se trata de um "ativo altamente especulativo" e seu contraparte no banco central japonês, Haruhiko Kuroda, chamou a atenção para o uso especulativo.

Vale a pena lembrar que, segundo relatos, o Goldman está montando uma mesa de negociação de moedas digitais.

Hatzius também listou aspectos positivos da economia americana. Para ele, a construção de imóveis residenciais vai avançar mais com a maior disparidade entre oferta e demanda, apesar da legislação tributária adversa aprovada pelo presidente Donald Trump. O crescimento dos salários vai voltar a subir com o esvaziamento das distorções estatísticas e há "evidências de que famílias mais abastadas estão tentando fazer deferimento de renda na esperança que as alíquotas tributárias sejam menores", o que pode ter limitado os dados salariais até o momento, de acordo com Hatzius.

O núcleo da inflação deve subir de 1,5 por cento atualmente, segundo ele. Os preços dos importados podem impulsionar a inflação. "Efeitos de base" também devem ajudar - como a saída dos cálculos do resultado de março de 2017, que refletiu ajustes nas tarifas de telefonia celular.

Para Hatzius, o Fed não mudará o plano de normalização do balanço patrimonial e, se o mercado entender que algum aperto adicional é adequado, as projeções para a taxa de juros terminal vão subir à medida que o banco central eleva mais a taxa do que se espera.

Mesmo delineando uma situação econômica sólida, o economista do banco chama atenção para a questão do valor dos ativos. E embora não espere continuidade da flexibilização das condições financeiras em 2018, isso é algo que pode mudar significativamente o quadro.

O Fed "provavelmente vai considerar a flexibilização adicional das condições financeiras como cada vez mais indesejável", prevê Hatzius, "e um argumento em si pela normalização".

"A economia já está no pleno emprego ou um pouco além disso, o impulso ao crescimento é forte e um empurrão adicional da política fiscal vem por aí", afirmou Hatzius. "Alimentar mais o fogo por meio de condições financeiras ainda mais flexíveis parece indesejável."

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