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Reino Unido acredita que negociador da UE está blefando

Tim Ross

04/01/2018 14h02

(Bloomberg) -- A primeira-ministra Theresa May acredita que Michel Barnier está blefando quando diz que não haverá um acordo especial para os serviços financeiros, disseram autoridades, em um momento em que o Reino Unido se prepara para negociar sua relação pós-Brexit com a União Europeia.

Dois altos funcionários a par do assunto acham que o principal negociador da UE está fingindo uma posição linha-dura para descartar um acordo que permitiria que os bancos continuassem operando livremente em todo o bloco.

As negociações sobre o futuro acordo comercial do Reino Unido com a UE ainda não começaram, mas Barnier disse no mês passado que não havia nenhuma possibilidade de um acordo que reproduzisse o acesso fácil ao mercado único que os serviços financeiros com sede no Reino Unido têm atualmente.

As autoridades do Reino Unido disseram que o ex-comissário francês estava simplesmente estabelecendo uma posição inicial que não tinha o apoio dos outros 27 países membros da UE. Disseram que os bancos com sede em Londres não terão problemas porque as empresas que operam na UE vão precisar manter o acesso ao financiamento após o Brexit.

O destino do distrito financeiro de Londres é urgente para May, que no mês passado concordou em pagar 39 bilhões de libras (US$ 53 bilhões) para começar as negociações sobre os aspectos práticos da transição. Faltando apenas 14 meses para a saída do Reino Unido da UE, as empresas contam com um período de transição de dois anos.

TheCityUK, um órgão do setor financeiro, estima que o setor emprega mais de 2,2 milhões de pessoas e representa quase 11 por cento da produção econômica. Bancos, incluindo o Goldman Sachs Group e o JPMorgan Chase & Co., estão se preparando para transferir funcionários de Londres e empresas tomarão decisões sobre as realocações pós-Brexit no primeiro trimestre de 2018.

Nesse meio-tempo, o Financial Times informou que o governo do Reino Unido está preocupado com uma medida apoiada pelos franceses para limitar o acesso dos gestores de fundos com sede no Reino Unido aos fundos da UE. O objetivo do presidente Emmanuel Macron, segundo o jornal, é conquistar uma fatia do negócio de gestão de ativos para Paris.

No mês passado, May disse que os serviços financeiros do Reino Unido deveriam ser otimistas sobre as negociações comerciais britânicas, que deverão começar em março. Ela citou o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, e o primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, como prova de que outros líderes da UE estão abertos à possibilidade de que o Reino Unido estabeleça uma relação comercial sob medida com o bloco que abranja os serviços.

No entanto, Barnier insiste que só será oferecido ao Reino Unido um acordo ao estilo canadense, que mantém as tarifas em um nível mínimo, mas não inclui o comércio de serviços. Ele diz que isso é o resultado das condições de May, como sua decisão de deixar o mercado único para recuperar o controle sobre a imigração proveniente da UE.

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