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Spotify testa confiança no ressurgimento do mercado musical

Lucas Shaw

04/01/2018 09h57

(Bloomberg) -- Finalmente, os investidores poderão apostar na recuperação do setor musical.

O Spotify, maior serviço pago de música do mundo, pretende colocar ações na Bolsa de Valores de Nova York neste trimestre, pulando a tradicional abertura de capital e partindo para a chamada listagem direta. A estreia testará se os investidores estão prontos para colocar dinheiro no setor musical, que era dado por morto há alguns anos.

As vendas sobem há três anos consecutivos graças a legiões de consumidores dispostos a pagar para escutar álbuns e canções no Spotify e no Apple Music. Esses gastos ? muito maiores do que as compras de música realizadas em varejistas e lojas online como o iTunes ? permitem que o negócio, que movimenta US$ 15,7 bilhões globalmente, prospere após anos de declínio. Segundo analistas, a receita pode mais que dobrar na próxima década.

Há poucas oportunidades diretas para os investidores aproveitarem esse potencial de crescimento. As três maiores empresas de música fazem parte de conglomerados maiores ou têm o capital fechado. A Vivendi é dona da Universal Music, a Sony Music faz parte do conglomerado japonês de mídia e tecnologia, e o bilionário Len Blavatnik é o proprietário da Warner Music.

O Spotify construiu o serviço de música sob demanda mais popular do mundo, deixando para trás as maiores companhias de tecnologia, incluindo a Apple. São mais de 60 milhões de assinantes e a empresa tenta provar que o serviço pode avançar sem que seja usado para vender telefones celulares e outros produtos.

O Spotify foi avaliado em US$ 8,5 bilhões quando fez uma captação em março de 2016. Desde então, foi avaliado em mais de US$15 bilhões.

A listagem direta ? algo geralmente feito por empresas bem menores ? é arriscada e a intenção do Spotify é realizar a maior operação desse tipo até hoje. Normalmente, companhias que pretendem emitir ações contratam bancos de investimento para subscrever os papéis e fazer roadshows, quando convencem potenciais investidores sobre o futuro do empreendimento.

O Spotify não está tentando levantar capital e sim fazer a listagem para que seus investidores possam vender as ações que já detêm. Sem roadshow, a companhia e os bancos que a assessoram não terão muito controle sobre locais de negociação ou sobre o que pensa o mercado.

"Não há exemplo de um serviço de streaming de música bem sucedido do ponto de vista financeiro", disse Greg Howard, cofundador da TuneCore e da Music Audience Exchange e professor associado da Faculdade de Música de Berklee.

A direção entende que o Spotify é bem conhecido. Os investidores podem avaliar os resultados financeiros já divulgados ao público. No entanto, o crescimento do setor musical pode se desacelerar e a empresa não consegue prever quantas pessoas no mundo pagarão pelo serviço.

O serviço online de rádio Pandora Media abriu o capital em junho de 2011, com as ações estreando em US$ 16. O papel passou de US$ 40 em março de 2014, mas atualmente é negociado por menos de US$ 5, em vista dos prejuízos acumulados e da gestão tumultuada.

O Spotify teve prejuízo de US$ 601 milhões em 2016, em grande parte por causa dos contratos que exigem pagamentos aos detentores dos direitos autorais. O custo elevado do conteúdo também afetou a Pandora antes mesmo que começasse a perder clientes.

Desde então, o Spotify renegociou contratos com grandes gravadoras que reduzem os custos ? contanto que determinadas metas sejam atingidas. Esses acordos melhoraram as margens de lucro do serviço, segundo Rohit Kulkarni, analista da SharesPost. Para ele, a única ameaça clara à empresa é o YouTube, pertencente ao Google, que está desenvolvendo seu serviço de assinatura.

"O Spotify é o único motivo de esperança no negócio de música", avalia Kulkarni.

--Com a colaboração de Alex Barinka

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