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Saída de metade do ministério arrisca fragilizar Temer

Simone Iglesias, Mario Sergio Lima e Samy Adghirni

05/01/2018 07h00

(Bloomberg) -- Após uma baixa de três ministros no último mês, o presidente Michel Temer deverá perder metade de seu ministério até abril, prazo para que interessados em disputar eleições deixem seus cargos, num movimento que pode comprometer a continuidade das políticas do governo. Dos 28 ministros, há expectativa de que 14 deixarão seus postos, entre eles os que comandam áreas-chave dos negócios e economia brasileira, como Blairo Maggi (Agricultura), Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), Henrique Meirelles (Fazenda) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores). 

Em 2014, ano da reeleição da presidente afastada Dilma Rousseff, apenas nove ministros dos 39 se desincompatibilizaram para concorrer às eleições daquele ano.

Blairo Maggi e Aloysio disseram à Bloomberg que deixarão os cargos até abril para buscarem a reeleição ao Senado. Meirelles ainda avalia se entrará na disputa presidencial e anunciará sua decisão no fim de março. Em café da manhã no Palácio da Alvorada, dia 22 de dezembro, entre o presidente Michel Temer, jornalistas e ministros, o próprio presidente demonstrou curiosidade sobre a situação de Meirelles. Questionou o ministro da Fazenda que, um tanto surpreso e desconcertado, respondeu que tomará uma decisão até 31 de março.

Coelho Filho sairá do governo no prazo previsto pela legislação, dia 7 de abril, para tentar a reeleição a deputado federal, segundo um porta-voz do ministro. Ele se desfiliou do PSB para ingressar no MDB, mas problemas regionais acabaram por suspender suas intenções. Coelho Filho poderá manter o projeto de se filiar ao MDB ou então escolher o DEM.

Levantamento feito pela Bloomberg junto aos ministros ou suas assessorias aponta ainda que deixarão os cargos até abril Gilberto Kassab (Comunicações), Mendonça Filho (Educação), Osmar Terra (Desenvolvimento Social), Leonardo Picciani (Esporte), Helder Barbalho (Integração Nacional), Sarney Filho (Meio Ambiente), Ricardo Barros (Saúde), Maurício Quintella Lessa (Transportes) e Marx Beltrão (Turismo). Raul Jungmann (Defesa) disse que sua situação está indefinida.

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse que as saídas fazem parte do processo, porque este ano é eleitoral. "O presidente deixou todos os ministros que serão candidatos à vontade quanto ao prazo de saída e cada um sabe qual o momento mais adequado para si", afirmou. Segundo Marun, as exonerações não têm impacto negativo para o governo porque grande parte dos ministros retoma o mandato no Congresso como aliado.

Uma fonte do gabinete presidencial afirmou que Temer acertou com os ministros que deixarem os cargos que a pasta permanecerá com o mesmo partido ou sob o comando de um técnico para evitar desorganização da base aliada. Esta seria uma forma de evitar turbulências na base aliada, em meio à agenda de reformas e às eleições.

Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria, avaliou que o alto índice de desincompatibilização prevista de ministros é resultado da necessidade de Temer, ao chegar à Presidência pós-impeachment, fazer um governo de coalizão, priorizando políticos profissionais a notáveis para cada área. 

Já para o analista político da consultoria Barral M Jorge, Juliano Griebeler, sempre há um impacto para o funcionamento do governo. "Decisões políticas importantes não são tomadas se não tem um ministro político com estofo mandando", disse Griebeler. "A principal incerteza é o Meirelles, e ele pode causar um impacto mais drástico se quiser ser candidato, pois ele é o fiador do governo na área econômica."

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