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Centro de Los Angeles fica pronto após quinze anos de reformas

Mary Holland

08/01/2018 20h33

(Bloomberg) -- "Quando eu era mais moço, eu dizia às pessoas que saíssem do centro de Los Angeles lá pelas seis ou sete horas da noite -- não era seguro", disse-me o motorista do Uber enquanto circulávamos pela Hollywood Freeway antes de entrar na West 4th Street. Dei uma olhada no relógio. Era quase sete horas e eu estava indo para o lugar que antes era proibido -- e que hoje é o nexo da cidade com excelentes restaurantes e hotéis da moda.

O surgimento do centro de Los Angeles (DTLA) não é uma novidade: a área cresceu a partir do fim da década de 1990. Mas foi o começo de uma ascensão longa e difícil. Em 2009, o lugar, que antes era ocupado por terrenos baldios sombrios, tinha se tornado uma vibrante meca cultural, graças a precursores como o complexo de entretenimento L.A. Live e o Standard Hotel. Desde então, uma série de novos hotéis, restaurantes e museus foram aparecendo e o centro da cidade não mostra nenhum sinal de desaceleração.

Nos últimos 12 meses, foram abertos os projetos culturais e de estilo de vida Row DTLA e City Market South -- que trouxeram consigo uma série de restaurantes e lojas independentes e garantiram à cidade um lugar na "Where to Go", nossa lista anual de destinos turísticos populares. Em setembro, o Institute of Contemporary Art se mudou de Santa Mônica para o centro. E um complexo comercial no Arts District, o At Mateo, está na etapa final de construção -- o que mostra que o DTLA ainda não chegou ao seu limite.

O visionário

"Eu acho que não seria impreciso dizer que há 15 anos isto era um deserto urbano", disse o desenvolvedor imobiliário Tom Gilmore sobre o DTLA. Arquiteto de profissão, Gilmore liderou quase sozinho o rejuvenescimento do centro da cidade. Primeiro, ele tomou nota do potencial arquitetônico do DTLA no começo da década de 1990: o centro da cidade era uma cidade-fantasma repleta de casas e prédios art déco abandonados.

Qual foi a estratégia de Gilmore? Comprar e transformar quatro edifícios antigos em lofts e depois somar bares e restaurantes. Isso não poderia ter acontecido em um melhor momento. Ao mesmo tempo, a Staples chegou para construir sua arena de 21.000 lugares e Lillian Disney (a esposa de Walt) contratou Frank Gehry para fazer o projeto de uma sala de concertos metálica curvada -- lugares que com certeza atrairiam milhares de visitantes.

Esses três projetos e o Broad Museum foram as pedras angulares de um investimento de US$ 20 bilhões no DTLA -- dinheiro que veio não apenas de Gilmore, mas também de um grupo de hoteleiros de vanguarda, de empresas estrangeiras, da prefeitura de Los Angeles e de várias fontes privadas.

A inauguração de perfil mais alto até agora no bairro, o NoMad, será neste mês, no histórico edifício Giannini Place. Depois de permanecer vazio durante 17 anos, agora ele terá 241 quartos de inspiração italiana com design de Jacques Garcia, uma biblioteca, uma piscina na cobertura e um restaurante de Daniel Humm e Will Guidara (do Eleven Madison Park, em Nova York). Uma Soho House será aberta no verão, segundo informações.

Para Gilmore, esses são os sinais mais claros do sucesso do centro da cidade. "Quando chega uma marca como a NoMad, você percebe que tudo vai mudar por causa deles, e você sabe que o impulso que isso dará vai ser muito grande", disse ele.

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