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Itaú supera BofA em receita de banco de investimento na AL

Cristiane Lucchesi e Felipe Marques

(Bloomberg) -- O Itaú Unibanco está de volta ao topo no mundo dos banco de investimento na América Latina, destronando o Bank of America em meio a um aumento de 77% no total de receitas com comissões pagas no Brasil.

A forte retomada do mercado de emissão de ações no Brasil e na Argentina impulsionou o Itaú, à medida que a receita na América Latina para os bancos que lideraram essas transações quadruplicou para US$ 657 milhões, segundo cálculos da empresa de pesquisa londrina Dealogic. O Itaú esteve envolvido em mais negócios do que qualquer outro banco da América Latina, fazendo parte de 31 de 79 transações de ações na região, segundo dados compilados pela Bloomberg.

"Já éramos muito grandes no Brasil, por isso é difícil ganhar mais terreno, e isso foi uma das razões pelas quais decidimos crescer em banco de investimento fora do país", disse Roderick Greenlees, chefe global de banco de investimento do Itaú. "O destaque deste ano foi o retorno dos mercados de capitais da Argentina, o que fez uma grande diferença para nós."

As comissões ganhas pelos bancos com assessoria em fusões e aquisições, liderança em transações de títulos de dívida e empréstimos sindicalizados cresceram 9,4% na América Latina em 2017, de acordo com a Dealogic, com o retorno do crescimento econômico e políticas governamentais que estimularam a confiança dos investidores. A receita total com banco de investimento aumentou 46% em relação a 2016 para US$ 1,95 bilhão, disse a Dealogic, com o Brasil responsável por US$ 899 milhões.

A receita de US$ 169 milhões do Itaú na América Latina com essas comissões garantiu ao banco o primeiro lugar no ranking pela primeira vez desde 2014. Os destaques incluíram o IPO da BR Distribuidora, do Atacadão, e da maior produtora de cimento da Argentina, Loma Negra, da Camargo Corrêa.

O BofA caiu para segundo lugar, com US$ 160 milhões, enquanto o JPMorgan Chase ficou em terceiro com US$ 156 milhões, mostra a Dealogic. O Itaú foi o primeiro também no Brasil.

O mercado deve continuar aquecido nos primeiros meses de 2018. Greenlees disse que há um pipeline de 10 ofertas de ações no Brasil que poderiam levantar até R$ 15 bilhões. Na Argentina, a reforma da Previdência recém-aprovada deve levar a um ano "igual ou melhor" nos mercados de capitais em 2018, disse ele.

O mercado de ações não será o único atraente. Muitas empresas e governos aproveitarão o impulso para emitir títulos de dívida nos mercados internacionais no primeiro trimestre, segundo Hans Lin, responsável pelo banco de investimento do BofA no Brasil. Ele espera US$ 10 bilhões em ofertas de eurobônus para o início do ano de emissores brasileiros, citando a possibilidade de aprovação da reforma de Previdência brasileira como um catalisador.

O otimismo poderia dar lugar à incerteza na segunda metade do ano, com as eleições presidenciais no Brasil e no México podendo reduzir o volume de negócios no mercado de capitais. Isso provavelmente mudará o foco da atividade de banco de investimento para fusões e aquisições, disse Greenlees.

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