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Mais forte, May finalmente está pronta para reformar gabinete

Flavia Krause-Jackson e Jill Ward

08/01/2018 16h00

(Bloomberg) -- Theresa May se despediu de 2017 demitindo seu vice e iniciando o novo ano com uma reforma do gabinete. Sinal de que a primeira-ministra britânica tem a intenção de cuidar do Brexit até o fim e disputar outra eleição.

Trata-se de uma mudança na situação de uma líder frequentemente ridicularizada em 2017, considerada tão fraca que não chegaria nem ao Natal depois da desastrosa eleição de junho, dos complôs para tirá-la do cargo e de um desempenho "pé frio" na conferência anual de seu Partido Conservador. A última pesquisa de opinião da YouGov mostra que os Tories ultrapassaram sua principal oposição - embora por um mero ponto percentual.

A mudança constante da sorte da líder do Reino Unido é um reflexo da instabilidade que se instaurou no cenário político do país depois do histórico referendo de 2016, que colocou a quinta maior economia do mundo no caminho para sair da União Europeia.

May chegou ao poder por causa daquela votação, e seu destino se tornou inextricavelmente ligado ao resultado de um processo de divórcio bagunçado que acaba de concluir sua primeira etapa. Agora, ela está tentando mudar a percepção de que só se importa com o Brexit, dando uma injeção de sangue novo no gabinete sem perturbar o delicado equilíbrio das vozes a favor e contra a UE no topo.

Mudança 'em breve'

Em sua primeira entrevista de 2018, a primeira pergunta feita a May foi se ela agora estava "forte o suficiente" para realizar uma reorganização sobre a qual se especula há meses. Desta vez, ela não objetou e admitiu que a reforma ocorrerá "em breve, sim".

"Bom, não é difícil deduzir isso", disse ela no domingo, em uma entrevista gravada para o programa da BBC "Andrew Marr Show". A partida do homem que era seu braço direito, Damian Green, antes do Natal "significa que algumas mudanças precisam ser feitas, e eu farei algumas mudanças".

Isso levanta a questão sobre o grau da reforma, que, de acordo com a últimas reportagens jornalísticas, não deve afetar Boris Johnson, a maior fonte de problemas para May.

O ministro das Relações Exteriores desafiou May diversas vezes e cometeu o tipo de gafe que normalmente levaria outros ministros a serem demitidos. Mas sua posição especial nos círculos contrários à UE como garantia do Brexit manteve-o no cargo e ressaltou a difícil posição de May na gestão de disputas entre facções Tory.

Sangue novo

O que se espera da remodelação é a promoção de caras mais novas, de uma geração mais jovem e diversificada de Conservadores - uma tentativa de alterar a imagem de um partido considerado distante em comparação com o Partido Trabalhista, que foi capaz de convencer jovens britânicos apáticos a irem às urnas em junho.

Depois do Brexit, May disse no domingo que pretende "disputar" a próxima eleição, marcada para dentro de quatro anos, repetindo que ela "não é uma desistente".

"Obviamente, eu governarei enquanto as pessoas queiram que eu governe", disse May.

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