Executivo transforma fracasso da Sanofi em negócio bilionário

Caroline Chen

(Bloomberg) -- Em abril de 2016, John Hood contou para a esposa que havia usado US$ 250.000 do dinheiro deles como entrada para tentar recomprar um medicamento que ele tinha ajudado a inventar, mas que fracassou nas mãos da farmacêutica francesa Sanofi.

Havia um problema: Hood tinha 120 dias para encontrar mais US$ 5 milhões para fechar o negócio. Se não conseguisse, perderia o pagamento inicial. "Você está brava comigo?", perguntou ele.

Hood conseguiu o dinheiro com a firma de capital de risco Medicxi Ventures, sua esposa não ficou brava e, no domingo passado, quase dois anos depois, a Celgene anunciou o fechamento de um acordo de compra da empresa de Hood, a Impact Biomedicines, e do medicamento por US$ 1,1 bilhão em dinheiro. Pagamentos de incentivo futuros podem avaliar o negócio em até US$ 7 bilhões.

Apesar ter recuperado o investimento inicial quando a Medicxi entrou no negócio, Hood manteve uma "grande participação" na empresa, disse ele. Ele preferiu não informar os detalhes, dizendo que o valor é "o suficiente para que eu prefira não responder à pergunta".

O acordo com a Celgene foi fechado ao longo de mais de 18 dias sem dormir, disse Hood, após um contato inicial, em outubro. Uma das decisões mais difíceis foi definir se a Impact deveria ter mantido a droga, chamada fedratinib, e comercializado o tratamento em si. A empresa se preparava para contratar uma equipe comercial neste mês, disse Hood. O medicamento está sendo desenvolvido para o tratamento da mielofibrose, um câncer na medula óssea.

"Você não faz ideia de quantas vezes nós debatemos essa questão", disse Hood em entrevista na J.P. Morgan Healthcare Conference, em São Francisco. "Poderíamos tê-la lançado."

Uma longa história

Era uma decisão pessoal para Hood, que ajudou a inventar o fedratinib quando trabalhava em uma empresa chamada TargeGen. A TargeGen foi vendida para a Sanofi por um pagamento antecipado de US$ 75 milhões em 2010, mas o medicamento foi engavetado porque, nos testes, os pacientes desenvolveram uma condição neurológica conhecida como encefalopatia de Wernicke.

Segundo Hood, a Impact mostrou que os casos de encefalopatia de Wernicke não estavam associados à droga e que o perfil do fedratinib deve torná-lo competitivo com o tratamento Jakafi, da Incyte, também voltado à mielofibrose.

Os analistas veem várias perspectivas para o fedratinib: se puder competir com o Jakafi como primeira opção dos pacientes, pode fazer sucesso. Se estiver limitado a ser uma terapia de segunda linha para pacientes para os quais o Jakafi não funciona, provavelmente não superará a marca de US$ 1 bilhão em vendas por ano.

Hood e sua equipe estão convencidos de que a droga funcionará e que eles serão recompensados. A Celgene pagará US$ 4,5 bilhões se as vendas globais do fedratinib chegarem a US$ 5 bilhões.

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