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400 mortes por dia obrigam a Índia a discutir segurança viária

P R Sanjai

(Bloomberg) -- Na Índia, mais de 150.000 pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito. São cerca de 400 mortes por dia, muito mais do que em mercados automotivos desenvolvidos como os EUA, país que registrou cerca de 40.000 em 2016.

Agora, o governo do primeiro-ministro Narendra Modi está tentando reduzir o número de mortes nas ruas da Índia, consequência de muitas coisas, entre elas veículos não equipados com airbags e motos que transitam a alta velocidade. Um projeto de lei apresentado em agosto de 2016 -- que propõe estabelecer penas mais duras para infrações de trânsito e exigir que as fabricantes de veículos incorporem elementos de segurança -- foi aprovado pela Câmara de Deputados do Parlamento e estima-se que será votado no Senado em 2018.

As grandes mudanças propostas pela legislação provavelmente aumentarão os custos de fabricação das empresas automotivas locais e estrangeiras na Índia. O país do sul da Ásia será o terceiro maior mercado automotivo do mundo depois da China e dos EUA até 2020, segundo a empresa de pesquisa IHS Automotive. A Organização Mundial da Saúde estima que os acidentes de trânsito custam cerca de 3 por cento do Produto Interno Bruto na maioria dos países.

A Global NCAP, organização sem fins de lucro com sede no Reino Unido, estuda a qualidade dos veículos e ao longo dos anos atribuiu uma classificação de zero estrelas a muitos veículos pequenos vendidos na Índia -- uma avaliação de que poderia haver ferimentos com risco de vida em um acidente a 65 quilômetros por hora. Iniciativas anteriores na Índia para aumentar a segurança viária não foram levadas adiante e o sucesso desta dependerá da rigorosidade na implementação.

'20 anos'

A Índia "demorou 20 anos para tornar obrigatórios os dispositivos de segurança", disse Dinesh Mohan, professor da Shiv Nadar University, com sede em Noida. No mundo, as fabricantes só incorporaram esses elementos "quando foram obrigadas a fazê-lo devido a regulamentações obrigatórias dos governos", disse ele.

Uma porta-voz do Ministério de Rodovias e Transporte Viário da Índia preferiu não dar um prazo para a implementação da nova lei.

Os consumidores indianos são muito sensíveis aos preços na hora de comprar carros. Modelos compactos baratos e básicos são vendidos há tempos por empresas como Tata Motors, Maruti Suzuki India, unidade da japonesa Suzuki Motor, Renault e Hyundai Motor. Muitos desses veículos baratos têm um preço inferior a 400.000 rúpias (US$ 6.300) e é provável que a nova lei exija que as fabricantes adicionem uma série de elementos como airbag, avisos sonoros de velocidade e sistemas antibloqueio de freios.

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