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Análise: Quando uma empresa adotar criptografia, é melhor correr

Tim Culpan

10/01/2018 15h02

(Bloomberg) -- Todos sabemos como funciona.

Uma empresa com ações negociadas nos EUA anuncia o plano de entrar no ramo de criptomoedas. Suas ações sobem. E em seguida caem.

Alguns especuladores ganham dinheiro rapidamente e vendem os papéis. Outros ficam segurando a batata quente por terem comprado no pico.

Mas há outra questão referente a essas empresas que vale a pena avaliar. Todas passam por dificuldades, com evidentes problemas estratégicos e financeiros.

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A Long Island Iced Tea é a mais notável das recentes oportunistas da criptografia. A empresa não registra lucro há pelo menos 11 trimestres e, segundo descoberta de Lily Katz, da Bloomberg, deixaria de ter ações negociadas se não elevasse sua capitalização de mercado para mais de US$ 35 milhões. A empresa chinesa de redes sociais Renren, uma deficitária crônica que está encolhendo cada vez mais, descobriu que uma ICO iluminaria seu futuro, e os traders, obedientes, concordaram.

Na última década, a Eastman Kodak esteve tanto dentro quanto fora da rentabilidade (principalmente fora), e suas ações foram pelo mesmo caminho. Sete anos após a morte do Kodachrome, a empresa agora está oferecendo o KodakCoin, que permitirá:

"... que os fotógrafos que aderirem participem de uma nova economia da fotografia, recebam pagamentos por licenciar sua obra imediatamente após a venda e vendam sua obra com a confiança de uma plataforma segura de blockchain."

Por último, vem o grupo japonês de mensagens instantâneas Line. Não é exatamente o caso desastroso dos exemplos já mencionados, mas caminha nessa direção. O crescimento do número de usuários está estagnado e as receitas de suas duas unidades históricas -- comunicação e conteúdo -- caíram. Portanto, não deveríamos nos surpreender ao saber que a empresa também estuda entrar no ramo da criptografia, segundo reportagem de Yuji Nakamura, da Bloomberg. As ações da Line negociadas em Tóquio chegaram a subir 13% na terça-feira antes de verem os ganhos eliminados nesta quarta-feira.

Nos casos da Kodak e da Line, o blockchain realmente faz bastante sentido. A tecnologia é adequada para gerenciamento de IP, e a indústria da fotografia está pronta para uma nova abordagem para acompanhar e monetizar o conteúdo. Em redes sociais e aplicativos de bate-papo, a construção de algum tipo de mecanismo de transferência de criptomoedas seria uma extensão da tendência existente de integrar pagamentos e mensagens instantâneas.

Mas só porque faz sentido não significa que essas empresas conseguirão fazê-lo. O universo das criptomoedas está repleto de cadáveres de ICOs fracassadas, e algumas delas foram verdadeiras falcatruas. Esse elevado índice de mortalidade pode ser atribuído ao fato de que o blockchain é difícil, e uma execução sólida é crucial.

A ICO da Renren já foi cancelada pelos órgãos reguladores chineses e pelo menos a Long Island admite que tem "relativamente pouca experiência no setor de tecnologia blockchain".

Nos casos da Kodak e da Line, contudo, o risco é que as empresas e seus investidores acreditem no sucesso. Considerando o histórico recente das empresas, há bons motivos para duvidar.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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