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Lojas de conveniência são pressionadas por lanchonetes nos EUA

Sandrine Rastello

18/01/2018 16h13

(Bloomberg) -- O setor de lojas de conveniência dos EUA enfrenta uma verdade inconveniente: os americanos estão mudando a forma de comprar lanches e bebidas.

As 154.500 lojas de conveniência do país estão sendo espremidas de todos os lados pela concorrência. Os restaurantes de fast food e os supermercados fazem guerras de preços, enquanto lojas populares continuam surgindo em todas as partes. E a Amazon.com oferece entregas rápidas de itens básicos. Tudo isso pressiona as redes de varejo dos postos de combustíveis a se combinarem.

No ano passado, o setor de lojas de conveniência, avaliado em US$ 550 bilhões, registrou o crescimento mais fraco nas vendas de mercadorias desde 2013, e as empresas estão correndo para aprimorar os programas de fidelidade, oferecer alimentos melhores e permitir que os clientes façam pedidos pela internet. Algumas estão até testando serviços de entrega. Em um sinal dos tempos de mudanças, a Alimentation Couche-Tard, empresa canadense dona da Circle K e com 7.700 lojas nos EUA, contratou pela primeira vez um diretor de marketing.

"Elas estão simplesmente enfrentando uma concorrência muito maior por conveniência do que antes, seja em café, serviços alimentícios ou gasolina", disse Todd Hale, consultor e ex-vice-presidente sênior de insights de consumidores e compradores da Nielsen. "Agora, precisam descobrir o que farão no mundo do comércio eletrônico."

Com isso, mais consolidação pode aparecer no caminho desse setor fragmentado, em que as redes representam menos de 40 por cento do mercado. Após uma série de compras recente das líderes de mercado Couche-Tard e 7-Eleven, pertencente à Seven & I Holdings, as 784 lojas de conveniência da gigante dos supermercados Kroger agora estão no mercado. Alguns investidores, frustrados com os resultados e o preço das ações da Casey's General Stores, pediram que a rede com sede em Iowa também analise uma venda.

Parte dos problemas do setor se deve à economia. A Couche-Tard, que enfrenta a desaceleração das vendas de mercadorias nas mesmas lojas, culpou o crescimento "anêmico" do salário real pelas dificuldades de seus clientes de baixa renda, e citou também o número menor de visitas da comunidade latina. Considerando que a diferença de renda entre os que mais ganham e os que menos ganham continua crescendo, as redes de varejo e os restaurantes que atendem a clientes de menor poder aquisitivo têm maior probabilidade de sucesso, segundo pesquisa da Cowen & Co.

Com essa tendência, as lojas de conveniência estão batendo de frente com as lojas populares, que têm reforçado as ofertas de alimentos, incluindo ovos e leite, segundo Jennifer Bartashus, analista de varejo da Bloomberg Intelligence. Além disso, como os restaurantes de fast food disputam para anunciar cardápios promocionais, as lojas de conveniência estão tendo mais dificuldade para convencer os clientes a comprar uma fatia de pizza ou um sanduíche depois de encher o tanque.

A gasolina representa cerca de 60 por cento das receitas de uma loja de conveniência típica, mas o que os clientes compram na loja responde por cerca de dois terços dos lucros. Além de lanches e bebidas, as empresas estão adicionando alimentos preparados e mais rentáveis, o que também oferece proteção contra ameaças de longo prazo, como o aumento do número de carros com maior eficiência de combustível e a queda do consumo de cigarro.

--Com a colaboração de Craig Giammona e Kristy Scheuble

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