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Chegou a hora do Facebook eliminar o botão `Curtir': Gadfly

Shira Ovide

(Bloomberg) -- Todos ainda estão tentando compreender as consequências da modificação do feed de notícias do Facebook, anunciada na semana passada. E eu me pergunto: por que o Facebook não eliminou o botão "Curtir"?

Mark Zuckerberg diz que quer mais "interações sociais significativas" no Facebook. Ele não quer que as pessoas passem tanto tempo navegando sem rumo pelo Facebook nem chafurdando passivamente na rede social. Esse comportamento torna as pessoas infelizes, ou pelo menos foi isso o que os próprios pesquisadores do Facebook disseram.

Bom, parece que o botão "Curtir" - e as reações relacionadas a ele, como o rosto que chora ou o coração - são parte do problema. Clicar em "Curtir" é o oposto de significativo ou social. É uma maneira superficial de interagir com as pessoas. E é exatamente esse tipo de atividade que o Facebook está tentando eliminar.

Pelo que os executivos disseram, ficou claro que as "curtidas" terão menos importância como um sinal para determinar o que cada um de nós vê no feed de notícias. Mas o botão "Curtir" continua lá. As pessoas clicam nele bilhões de vezes por dia. Na quarta-feira, cliquei "Curtir" na foto do noivado de um amigo no Facebook. Mas isso não foi significativo. Foi o equivalente na internet de um "tchauzinho" sem convicção no mundo real.

Nem sempre foi assim. O botão "Curtir" foi lançado há 10 anos pelo FriendFeed, que alguns de nós recordamos como um site que ajudava as pessoas a encontrar coisas interessantes na internet. O Facebook aparentemente estava trabalhando em sua própria versão ao mesmo tempo, de acordo com uma história curta contada pelo veterano do Facebook Andrew Bosworth (um dado interessante: inicialmente, o botão se chamava "Joia" dentro da empresa).

O recurso foi adiado, em parte, porque Zuckerberg tinha dúvidas a respeito dele, segundo Bosworth. Mas o botão "Curtir" foi lançado em 2009, o Facebook adquiriu o FriendFeed mais tarde naquele ano e nós já sabemos o resto. O botão "Curtir" se tornou uma característica definidora do Facebook - uma enorme versão dele recepciona você na entrada da sede da empresa - e se tornou também um princípio organizador para toda a internet. Twitter, Instagram, Reddit, Tumblr, YouTube e Netflix têm uma versão do botão "Curtir" para ajudar a quantificar o que é popular e determinar o que vale a pena mostrar para milhões de pessoas.

A vantagem desse botão é que ele é uma maneira fácil de mostrar a alguém que você está prestando atenção e de ver o que as pessoas que nos rodeiam acham que vale a pena ver. "Curtir é bastante fácil, esse é o aspecto mais essencial das curtidas", disse o executivo do Facebook Adam Mosseri em uma entrevista recente à Wired. De fato, é fácil, mas muitas vezes clicar em "Curtir" é um substituto para uma interação mais significativa, que Zuckerberg está tentando encorajar.

Não estou dizendo que acabar com o botão "Curtir" resolveria todos os problemas da empresa. Não existe uma cura milagrosa para os males do Facebook. Mas está claro que algumas das características definidoras das redes sociais e da internet tiveram consequências imprevistas, e elas estão se tornando evidentes demais para que possam ser ignoradas. Uma das características definidoras do YouTube é que qualquer um pode fazer o upload de um vídeo e talvez até ganhar a vida com seu hobby favorito. O YouTube está repensando isso agora.

Podemos ver em 2018 que as pessoas que ajudaram a moldar o que a internet é hoje estão começando a repensar alguns de seus fundamentos. E o botão "Curtir" é uma das bases frágeis sobre as quais a internet foi construída.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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