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Jovens desprezam diamantes e hedge fund prevê queda maior

Bei Hu

19/01/2018 10h56

(Bloomberg) -- Os diamantes devem cair ainda mais, de acordo com um hedge fund cuja aposta na maconha lhe rendeu o melhor desempenho do mundo em 2016.

Os preços podem chegar a cair 10 por cento neste ano, porque a pedra preciosa está perdendo o apelo com os consumidores mais jovens e está sendo desafiada pelas alternativas sintéticas, disse Ben Cleary, que ajuda a administrar o Tribeca Global Natural Resources Fund, de US$ 500 milhões, em Cingapura.

"Os diamantes são comercializados com base na ideia de que sempre representarão o auge do luxo e do desejo materialista", escreveu Cleary em um e-mail. "Nosso receio é que os membros mais jovens da geração Y não tenham a mesma fidelidade aos mesmos produtos que seus pais e avós."

O diamante polido foi uma das commodities de pior desempenho em 2017, e a reputação da gema foi manchada por falsificações e pedras extraídas de zonas de conflito. A demanda pode estagnar por mais uma década, a menos que a indústria invista mais para atrair consumidores, afirmou a Bain & Co. no mês passado em seu relatório anual sobre o setor.

O fundo Tribeca subiu 145 por cento em 2016, o melhor desempenho entre os mais de 10.000 fundos monitorados pela provedora de dados Preqin, graças a apostas em produtores norte-americanos de maconha que se beneficiaram com a legalização do uso medicinal e recreativo da cannabis. O fundo avançou 25 por cento no ano passado, ajudado pela recuperação dos preços das commodities e por investimentos em pelo menos 15 negócios de arrecadação de fundos que permitiram que empresas com recursos menores colocassem projetos em produção, disse Cleary.

Para este ano, o fundo está otimista com os créditos de carvão e carbono. Os cortes da produção chinesa reduziram as ofertas, o que aumentou os preços do carvão metalúrgico e térmico. Os rendimentos de fluxo de caixa livre nas produtoras de carvão da América do Norte continuam "incrivelmente atraentes", disse Cleary. Os créditos de carbono subiram cerca de 20 por cento na América do Norte no ano passado devido aos programas estatais de negociação.

O fundo gosta de produtores de químicos que utilizam fontes de combustível mais ecológicas. Ele investiu em uma empresa que usa resíduos da produção de azeite de dendê na Indonésia e na Malásia para produzir açúcares celulósicos, disse Cleary, que preferiu não identificar a companhia. As novas tecnologias tornam o custo da biomassa competitivo em relação aos produtos químicos à base de petróleo, por isso o setor pende para o lado dos combustíveis renováveis.

O fundo está ampliando os investimentos em produtores de cannabis de uso medicinal do Canadá para a Alemanha, a Itália, os EUA e a Austrália. Com a iminente oposição federal à cannabis nos EUA, o fundo financia empresas em estados como Massachusetts, Nova York e Flórida, onde os referendos que autorizaram o uso medicinal provavelmente não serão revertidos por medidas federais, disse Cleary.

Cleary mudou-se recentemente de Sidney para Cingapura como CEO para a Ásia da Tribeca Investment Partners, que administra 2,1 bilhões de dólares australianos (US$ 1,7 bilhão). A Tribeca abriu o escritório na cidade-estado porque seus investimentos estão se tornando mais globais e para estar mais perto de sua base de investidores, disse ele.

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