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Óculos digitais e hologramas 3D desafiam faculdades de Medicina

Jason Gale

22/01/2018 16h22

(Bloomberg) -- Shafi Ahmed coloca um par de óculos de sol digitais e explica como as minúsculas lentes incorporadas à armação preta de plástico, capaz de capturar imagens em alta resolução, estão transformando a capacitação de médicos nas salas de operação.

O cirurgião colorretal britânico usou os óculos high tech da Snap há um ano para mostrar a médicos novatos e milhões de espectadores curiosos uma operação de hérnia por meio do aplicativo de compartilhamento de imagens Snapchat. Em 2018, ele planeja transmitir seu avatar a salas de operação com a chamada tecnologia imersiva, que abrange desde treinamento militar até entretenimento adulto e promete respaldar a próxima geração de médicos com supervisão e tutela em tempo real.

"Os médicos não precisam sentir que algo está fora de seu alcance, e essa tecnologia permitirá que consigam ajuda sempre que necessário", diz Ahmed, cuja adoção precoce de tecnologia digital e redes sociais o tornou reconhecido como o cirurgião mais acompanhado do planeta, com mais de 2 milhões de visualizações e 50 milhões de postagens do Twitter apenas na cirurgia por Snapchat. "Todos precisamos de apoio e ajuda quando enfrentamos uma situação complicada."

A abordagem pública e bastante divulgada de Ahmed incomoda alguns integrantes dessa profissão tão conservadora. Segundo ele, no entanto, representa uma das melhores maneiras de atender ao apelo da Organização Mundial de Saúde de "ampliar o ensino transformador e de alta qualidade" e de conter a queda global prevista de 15 milhões de trabalhadores de saúde até 2030.

Um relatório da Comissão Lancet para Cirurgia Global estimou em 2015 que 5 bilhões de pessoas carecem de acesso à assistência cirúrgica e de anestesia segura e acessível, o que provoca cerca de 17 milhões de mortes por ano. Para salvar vidas, será necessário duplicar a força de trabalho cirúrgica, ou agregar 2,2 milhões de cirurgiões, anestesistas e obstetras ao longo de 15 anos, segundo o relatório.

'Grande interesse'

"Não é simplesmente a falta de profissionais de saúde, é que, como consequência disso, falta professor também", disse Josip Car, professor associado de pesquisa de resultados de serviços de saúde na Faculdade de Medicina Lee Kong Chian da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura.

Car trabalha em colaboração com a OMS na maior análise mundial e sistemática de evidências sobre a eficácia do aprendizado digital. Segundo ele, este campo atrai "grande interesse", mas exige avaliação cuidadosa.

"A evidência parece sugerir que, em geral, essas tecnologias provavelmente serão equivalentes aos modos tradicionais de educação", disse Car, em entrevista por telefone. "Se isso se concretizar, será uma notícia muito boa, porque muitas delas permitem ampliação e flexibilidade de aprendizado."

As inovações tecnológicas já estão aumentando a automação de diagnósticos e tratamentos personalizados, e as faculdades de Medicina estão incorporando-as aos cursos. Por exemplo, a Stanford Medicine, da Califórnia, combina imagens de ressonâncias magnéticas, tomografias computadorizadas e angiogramas com um novo sistema de software para criar um modelo tridimensional que médicos e pacientes podem ver e manipular.

"O ensino de Medicina está pronto para a disrupção", disse Marc M. Triola, vice-reitor de informática educacional da NYU Langone Health em Nova York. "As tecnologias de ponta, como a realidade virtual e a realidade aumentada, podem rapidamente se tornar padrão na assistência médica e ganhar popularidade."

Ahmed usou o headset HoloLens, da Microsoft, para reunir virtualmente cirurgiões do BMI London Independent Hospital e do Tata Memorial Hospital, em Mumbai, para uma operação conjunta de um paciente com câncer de intestino, em outubro. Cada colega pôde ver imagens do tumor que apareciam como hologramas 3D, e também pôde "ver" os colegas como avatares gráficos, de pé e falando como se estivessem juntos na sala de operação, no Royal London Hospital.

"Minha história tem a ver com conectar pessoas globalmente", disse Ahmed, 48, de seu escritório, no London Independent Hospital. Vice-reitor do Barts e da Faculdade de Medicina e Odontologia de Londres, o cirurgião nascido em Bangladesh realizou a primeira operação em realidade virtual do mundo gravada e transmitida ao vivo em vídeo de 360 graus, ou imersivo, em 2016.

Título em inglês:
Digital Eyewear, 3D Holograms Challenge Hidebound Med Schools

--Com a colaboração de John Lauerman

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