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Aplicativos podem ajudar você a se livrar de seus piores hábitos

Mark Ellwood

26/01/2018 16h26

(Bloomberg) -- Depois que a mãe e o irmão de Erin Hiscock faleceram -- ambos com obesidade mórbida --, ela resolveu enfrentar seu próprio problema de peso. "Eu pesava cerca de 140 quilos e era seriamente viciada em açúcar", diz ela. "Em vez de uma refeição normal, eu comia só carboidratos e açúcar, nada nutritivo."

Hiscock, agente de seguros de 35 anos, de Virgínia, EUA, não recorreu a livros de dieta, aos Vigilantes do Peso nem à hipnoterapia. Em vez disso, ela comprou um Pavlok. Como uma espécie de Fitbit de mau humor, a pulseira Pavlok dá um choque agudo e inofensivo quando o usuário pressiona um botão no dispositivo ou em um aplicativo de smartphone. "Cada vez que eu tinha vontade de comer açúcar, eu me dava um choque", diz ela, "como quando eu ia comer um chocolate".

Isso foi há 18 meses e Hiscock já perdeu quase metade de seu peso corporal com a ajuda eletrizante do Pavlok.

Ela ficou tão fã que agora usa três dispositivos simultaneamente, 24 horas por dia, e confia no Pavlok para outras coisas, além do monitoramento da ingestão de alimentos. "Eu tenho hábitos de sono muito ruins, já dormi até ao volante", explica Hiscock. "Um despertador normal não me ajudava a acordar de manhã, eu continuava dormindo. Mas, com a ajuda do Pavlok, eu chego no trabalho pontualmente e consigo ficar acordada durante o dia."

O dispositivo é simples: uma pulseira de silicone que se sincroniza com um aplicativo de smartphone via Bluetooth e pode ser carregada com um cabo USB, como um aparelho de vestir comum (custa US$ 179). O dispositivo foi concebido pelo empresário californiano Maneesh Sethi, que chamou a atenção na internet há seis anos com uma artimanha que ele chamou de Craigslist Slapper Experiment (Experimento de Tapas no Craigslist). Por ter dificuldades para manter o foco e a concentração, Sethi contratou um estranho para lhe dar um tapa sempre que ele acessasse algum site não relacionado ao trabalho no laptop. Segundo ele, sua produtividade melhorou 98 por cento -- uma excelente estratégia publicitária para o dispositivo que ele iria lançar em 2015.

Naturalmente, o uso da tecnologia para nos reconfigurar não é uma novidade. Inúmeros aplicativos, de Headspace ao HabitBull, prometem restringir ou reduzir maus hábitos. É um compromisso muito maior investir em hardware para criar novos comportamentos no cérebro. Junto com Pavlok, existe o Re-Vibe (US$ 99.95), uma pulseira com infantil semelhante a um Ritalin digital, destinado a ajudar as crianças a se concentrarem na tarefa e a aprender melhores rotinas através de uma série de lembretes vibrantes.

Upright Go (US$ 99,95) e Lumo Lift (US$ 99,99) prometem melhorar a postura. Os usuários são treinados para sentar-se eretos, usando um dispositivo com um aplicativo, que os adverte com um zumbido se eles começam a se encurvar.

O apelo desse tipo de dispositivo parece bom demais para ser verdade. Compre este aparelho acessível, cada um deles parece prometer, e você conseguirá corrigir sem esforço seus piores hábitos. Será que eles funcionam? Elspeth Kirkman acredita que sim. Ela faz parte do programa Behavioral Insights conhecido como "nudge unit" ("unidade da cutucada"), em Londres, criado pelo ex-primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, quando estava no cargo. A equipe de cientistas comportamentais foi encarregada de ajustar o comportamento da população britânica usando psicologia; eles foram tão bem-sucedidos que o grupo criou uma subsidiária com fins lucrativos que agora tem escritórios em todo o mundo.

"O princípio básico da ciência comportamental é que nós temos dois modos de funcionamento: o nosso modo de pensar lento e deliberativo e o piloto automático rápido. Na maior parte do tempo estamos funcionando no piloto automático e o que um produto pode fazer é simular a versão lenta e reflexiva de você mesmo", diz Kirkman. "Produtos como esses podem ajudar você a mudar seus hábitos. O fundamental é que eles têm que ser realmente muito fáceis de usar, sem nenhuma exigência de que você seja melhor do que todos nós, os seres humanos, somos quando um mau comportamento parece iminente." A equipe do Behavioral Insights acredita tanto nessa ciência que iniciou seu próprio sistema de treinamento, o Good Habit Lab, onde empresas podem incentivar comportamentos saudáveis em seus funcionários.

Título em inglês: These Clever Apps Will Help You Break Many of Your Worst Habits

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