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Melhor desempenho do ano em metais de bateria não foi do cobalto

Mark Burton

26/01/2018 13h19

(Bloomberg) -- Cresce rapidamente a procura por um certo metal para baterias diferente daquele que todos comentam.

O vanádio disparou mais de 130 por cento nos últimos 12 meses, superando componentes de bateria mais famosos como cobalto, lítio e níquel. Trata-se de um metal pouco conhecido, azul prateado, de nome inspirado na deusa nórdica da beleza, Vanadis.

O que impulsiona os preços são a oferta restrita e as fortes encomendas do setor siderúrgico, que responde por 90 por cento da demanda atual.

Mas os analistas esperam uma mudança futura no uso do vanádio. O metal também poderá ser usado em baterias de escala industrial, que ajudam a equilibrar os altos e baixos diários de fontes renováveis como a energia eólica. A opção pela energia verde poderia criar um novo mercado e iniciar uma disputa por oferta, segundo a BMO Capital Markets.

Com os compromissos bilionários dos governos com a energia verde estão surgindo projetos de baterias de reserva de grande escala em todo o mundo, inclusive um construído por Elon Musk para respaldar a rede no interior australiano. Ele construiu a planta -- a maior do tipo -- em menos de 100 dias usando a mesma tecnologia de íons de lítio que alimenta os carros da Tesla.

Momento Tesla

"A tecnologia de armazenamento de energia em si não é nova, mas estamos vivendo esse momento em que uma empresa como a Tesla chegou e está mudando o pensamento a respeito de seu potencial", disse Anthony Milewski, diretor-gerente da Pala Investments na Suíça. Ele administra um dos poucos fundos que investem em metais de bateria, que podem ser quase impossíveis de negociar para quem não é do setor.

Atualmente, a forma dominante de armazenamento de energia é a tecnologia de íons de lítio, mas existem vantagens nas baterias de fluxo de vanádio. Elas duram mais e podem ser recarregadas e descarregadas repetidamente sem nenhuma queda significativa no desempenho. Além disso, são fáceis de reciclar e boas para projetos sem problemas de espaço.

"Acho que ninguém discute que é superior ao íon de lítio para a aplicação em redes de grande escala", disse Milewski.

Na China, as baterias de fluxo de vanádio estão emergindo como uma alternativa ao íon de lítio, segundo Gary Yang, fundador da UniEnergy Technologies, fabricante de baterias de vanádio em Mukilteo, Washington. O governo chinês está promovendo a tecnologia e entre os projetos em construção há uma instalação de energia de reserva em Dalian, na China, duas vezes maior do que a planta da Tesla na Austrália.

O pentóxido de vanádio, forma em pó do metal usado em baterias e na indústria siderúrgica, subiu 27 por cento neste ano, para US$ 12,38 a libra, segundo a Metal Bulletin. Os preços estão recebendo impulso da China, onde as autoridades exigem um aço mais forte para os edifícios construídos em áreas propensas a terremotos.

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