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Negócios com cobre tem melhor começo de temporada em 12 anos

Luzi-Ann Javier

(Bloomberg) -- Os acordos de mineração de cobre registram o melhor início de temporada em pelo menos 12 anos -- e mais dinheiro pode entrar no setor em 2018.

Mais de US$ 500 milhões em transações estão pendentes ou foram concluídas até esta altura do mês, maior volume registrado em janeiro no histórico da Bloomberg dos últimos 12 anos. O interesse nas fusões está aumentando depois que anos de baixos investimentos limitaram a capacidade das empresas mineradoras de atender à demanda crescente pelo metal, disse Stephen Gill, sócio-gerente da Pala Investments, por telefone.

"Vemos as grandes empresas de mineração indicando a necessidade de comprar crescimento", disse Gill, cuja empresa de investimentos focada em mineração e metais é a maior acionista da Nevada Copper. "Devido aos anos de baixos investimentos, a fila de projetos delas atualmente está vazia e só pode ser recomposta por meio de aquisições, porque demora anos para desenvolver, receber autorização e construir uma nova mina de cobre."

O apetite pelos ativos de extração de cobre está crescendo rapidamente após a maior escalada dos preços do metal em sete anos em 2017 em meio a turbulências que ampliaram a escassez de oferta. Apesar da oscilação dessa alta desde que os preços atingiram o maior patamar em três anos, em dezembro passado, analistas do Goldman Sachs afirmam que a perspectiva continua positiva. Os sinais de crescimento global sincronizado também estão ampliando as perspectivas de demanda, ressaltando a necessidade de concretização de novos projetos de cobre para breve.

A produção foi 175.000 toneladas menor do que o consumo nos 10 primeiros meses do ano passado, segundo o Grupo Internacional de Estudos do Cobre. No mesmo período do ano anterior o déficit foi de 143.000 toneladas devido a uma greve de trabalhadores da mina Escondida, da BHP Billiton, no Chile, e à proibição temporária de exportações de concentrado da mina Grasberg, da Freeport-McMoRan, na Indonésia, o que reduziu a oferta no início de 2017, afirmou o grupo de estudos.

Mais problemas de oferta podem estar surgindo. Mais de 30 contratos de trabalho deverão ser negociados neste ano no Chile e no Peru, o que coloca quase um quinto da oferta global de cobre em risco de disrupção neste ano, estimaram Andrew Cosgrove e Eily Ong, analistas da Bloomberg Intelligence.

"As pessoas se esqueceram do esgotamento das minas de cobre e da queda de qualidade em muitas minas de cobre, além do risco elevado de greve no setor", disse Ivan Glasenberg, CEO da Glencore, em reunião de investidores em dezembro.

Na próxima década o mercado precisaria de 5 milhões de toneladas de cobre em novas minas para atender a demanda crescente, disse o CEO da Freeport, Richard Adkerson, na quinta-feira, citando estimativas da Wood Mackenzie. O minério dos novos projetos em desenvolvimento tem menor qualidade, disse.

"Na verdade, não há novos projetos importantes no horizonte", disse Adkerson, na teleconferência de resultados do quarto trimestre da empresa. "A oferta reflete um período muito longo de baixos investimentos. E mesmo neste momento de preços mais altos não vemos uma onda de novos investimentos a serem iniciados de imediato."

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