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Clube do Bolinha de US$ 12 tri precisa de mais mulheres: Gadfly

Tara Lachapelle

(Bloomberg) -- Hoje sabemos que contar com mais mulheres nas equipes de liderança é bom para os negócios. Também sabemos que as mulheres têm qualidades que fazem com que elas sejam boas investidoras, como sua abordagem ao risco. Então, por que continua havendo tão poucas gerentes de recursos? Os números são ainda piores do que você imagina.

Segundo análise de 2015 da Morningstar (ano mais recente com dados disponíveis), apenas 2 por cento dos ativos do universo de mais de US$ 12 trilhões de fundos de investimento abertos dos EUA são administrados exclusivamente por mulheres, e apenas 2,5 por cento dos fundos tinham uma mulher como única gerente. Infelizmente, é improvável que as proporções tenham mudado muito de lá para cá.

Em meio a um grande impulso para a geração de mais oportunidades de carreira para as mulheres, o espaço do gerenciamento de fundos ainda parece isolado. O que é menos claro é o porquê, apesar de um fato da semana passada ter dado uma ideia a respeito de um problema familiar: Sara Tirschwell, ex-gerente de fundo da TCW Group, uma empresa de investimentos com sede em Los Angeles que administra US$ 205 bilhões em ativos, alegou em ação judicial que foi demitida indevidamente em dezembro poucos dias após reclamar de assédio sexual de seu chefe. A TCW negou as acusações.

A resposta à disparidade de gênero não é a "regra de Mike Pence", que atrasa ainda mais as mulheres. Também não é se retirar dos eventos de angariação de recursos sórdidos e apenas para homens, mas sim aproveitar a oportunidade para defender a inclusão das mulheres e criar uma atmosfera acolhedora no futuro. A presença de mais mulheres no poder pode ajudar a evitar más condutas sexuais no ambiente de trabalho e abrir caminho para que outras mulheres subam na hierarquia -- uma ideia tão dolorosamente óbvia que quase virou clichê. E, no entanto, poucos setores se mexeram mais lentamente que Wall Street, particularmente no lado do investimento. O mercado só tem a perder com isso.

Globalmente, a proporção de fundos que contam com pelo menos uma gerente se manteve em cerca de 20 por cento desde a crise financeira, apontou a Morningstar em estudo de acompanhamento, em 2016. Os índices de representação feminina entre os gerentes de fundos de investimento foram particularmente fracos na EUA e na Alemanha, com 10 por cento e 9 por cento, respectivamente. O Reino Unido não se saiu muito melhor, com 13 por cento. Em 2015, entre as maiores empresas de fundos, a Dodge & Cox, com sede em São Francisco, apresentava a maior proporção de mulheres gerentes de fundos, com 25 por cento, enquanto a Lord Abbett figurava em último lugar, com 3,5 por cento.

Além disso, as mulheres têm menor probabilidade de gerenciar fundos ativos -- em vez de fundos passivos, que monitoram índices -- e maior probabilidade de administrar fundos de fundos, que mantêm outros fundos em vez de títulos individuais. Isso mostra como as mulheres do setor muitas vezes têm menos influência sobre decisões de investimento específicas, embora tenham sido apontadas como menos impulsivas no trading -- o que economiza dinheiro dos clientes. Segundo a Morningstar:

"Esta abordagem de investir com convicção que observamos nas mulheres pode ser especialmente benéfica em gerentes ativos, que enfrentam um controle de custo cada vez maior e, em sua maioria, têm desempenho inferior aos fundos passivos, com uma abordagem convencional de rotatividade maior."

Além disso, parece haver menos segurança no emprego para as mulheres no gerenciamento de fundos, e seus mandatos são mais curtos. Um estudo publicado no ano passado por Brad Barber e Anna Scherbina, da Universidade da Califórnia em Davis, juntamente com Bernd Schlusche, economista do Federal Reserve, apontou que as mulheres têm uma probabilidade entre 9,2 por cento e 10,5 por cento maior de perder um emprego de cogerente que seus pares do sexo masculino. Em caso de fechamento de um fundo, por exemplo, são maiores as chances de o gerente do sexo masculino estar administrando outros fundos, enquanto a mulher gerente pode ficar sem emprego.

Mas, na melhor vingança contra a percepção de que as mulheres largam o emprego para constituir famílias, o estudo acadêmico apontou que "a probabilidade maior de abandono prematuro do setor e a probabilidade menor de serem promovidas em relação aos homens afeta mulheres de todo o espectro etário, não apenas aquelas em idade fértil". As mulheres não estão abandonando cargos de gerenciamento de recursos para ter filhos. O ônus está na mentalidade das firmas de investimentos na hora de contratar mais mulheres e conceder mais responsabilidades a elas.

A diversidade de gênero e os retornos dos clientes andam de mãos dadas. Está na hora de que essa discussão chegue a este segmento da economia.

(Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.)

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