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'Inventamos': A vã tentativa de contabilizar êxodo em Porto Rico

Jonathan Levin e Yalixa Rivera

(Bloomberg) -- Esse é o número que todos precisam saber: quantos porto-riquenhos restarão em Porto Rico?

Antes da passagem do furacão Maria, há quatro meses, 3,3 milhões de pessoas moravam nessa ilha falida. Agora, tantas pessoas foram embora que é impossível contar. Em suas primeiras projeções detalhadas, a comunidade previu na semana passada que sua população perderia 600.000 habitantes nos cinco anos fiscais posteriores a 20 de setembro, quando o furacão tocou terra. As autoridades preferiram não mostrar seu trabalho, afirmando apenas que adotaram projeções independentes de um consultor.

O número exato de habitantes em Porto Rico basearia todos os tipos de projeções, desde o número de postes de energia e professores necessários até a fatia da dívida de US$ 74 bilhões que será saldada. Financistas de Wall Street, políticos da parte continental dos EUA e o painel de controle formado antes da falência estão examinando todas as hipóteses.

"O investidor que acredita nas informações fornecidas por Porto Rico claramente tem muito a aprender", disse Dora Lee, vice-presidente da Belle Haven Investments, que administra US$ 6,5 bilhões em títulos municipais. "É preciso fazer a lição de casa sobre Porto Rico sozinho, sem depender do que eles divulgam."

Aqueles que mais têm a perder acabam recorrendo à adivinhação.

Na Flórida, onde os migrantes estão exacerbando a demanda por serviços, escolas e moradia, representantes do gabinete do governador e legisladores estaduais se reuniram em uma sala de conferências em Tallahassee, no mês passado, para debater o número a ser incorporado às projeções oficiais.

Um assessor do governador Rick Scott projetou, durante a reunião gravada em vídeo, que até 230.000 porto-riquenhos se instalariam no estado até o fim de 2018, cifra a que se chega considerando que a maioria dos passageiros de avião ficarão permanentemente.

"Vocês podem perguntar: 'como chegaram a esses 60 por cento?'", disse Clyde Diao, vice-coordenador de políticas. "Acho que 60 por cento é uma estimativa bastante conservadora, considerando o número de pessoas que estão vindo para cá agora."

"Nós inventamos [o número]", disse outra voz, interrompendo-o.

"Sim, quero dizer, é basicamente isso", disse Diao, aos risos.

Normalmente, um estado ou empresa recorre ao Escritório do Censo dos EUA em busca de esclarecimento, mas essa fonte não funciona com suficiente rapidez. A próxima estimativa populacional que capturaria o efeito do desastre só será divulgada no fim do ano. A agência está desenvolvendo uma "metodologia adaptada" para calcular o impacto, disse a porta-voz Kristina Barrett.

Ainda assim, dados existentes do Censo estão ajudando os acadêmicos a encontrar o número.

Um estudo de outubro de Edwin Melendez e Jennifer Hinojosa, do Centro de Estudos Porto-riquenhos da Hunter College, usou números do Escritório do Censo para analisar dados demográficos das pessoas que migraram para o continente até 2016. Segundo suas extrapolações, o fluxo poderia totalizar 470.335 até 2019.

Os acadêmicos estão usando outro conjunto de números para testar essa suposição: matrículas em escolas. O Departamento da Educação de Porto Rico anunciou que pode ter perdido 26.674 alunos desde a tempestade, ou 7,7 por cento do total, com base nas transcrições solicitadas pelos pais para matricular as crianças em outros lugares. Uma pesquisa da Bloomberg calculou o registro de pelo menos 20.640 novos estudantes porto-riquenhos na parte continental do país nesse período, apesar de destinos importantes como Nova Jersey e Texas terem se recusado a ou não terem conseguido fornecer números. A Pensilvânia recebeu 2.596, e Nova York, 2.050. A Flórida, por si só, informou 11.034 novos estudantes porto-riquenhos.

--Com a colaboração de Mc Nelly Torres Zachary Hansen e Michelle Kaske

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