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Empresas de tecnologia querem seduzir bancos em evento em Paris

Fabio Benedetti-Valentini e Marie Mawad

(Bloomberg) -- O setor de tecnologia financeira quer conquistar Paris.

Empreendedores do setor de tecnologia financeira da Europa estão promovendo soluções de pagamento de baixo custo para roubar participação de mercado dos bancos com a esperança de que o desafio que representam estimule os bancos a comprar as empresas ou a buscar parcerias com elas.

Muitas startups em busca de acordos ou da possibilidade de financiamento irão a Paris nesta semana para se encontrar com os principais executivos do setor financeiro francês, como Jean-Laurent Bonnafé, do BNP Paribas, e Frédéric Oudéa, do Société Générale, no Fintech Forum, um evento anual da cidade. O primeiro tema de discussão é o desafio das empresas de tecnologia financeira aos bancos consolidados, com foco na área de pagamentos, considerando que alternativas aos bancos, como Alipay e M-Pesa, já são dominantes na China e na África.

"Os bancos continuarão adquirindo empresas menores e mais ágeis para agregar valor a seus produtos", disse Jacob de Geer, cofundador da empresa de pagamentos sueca iZettle. "Eles precisam inovar para conservar os clientes e continuarão indo atrás das empresas de tecnologia financeira para esse tipo de inovação."

As soluções de tecnologia financeira viraram uma ferramenta competitiva para os bancos em meio ao aumento do consumo e das transações on-line. O investimento global em tecnologia financeira foi de US$ 8,2 bilhões nos nove primeiros meses do ano passado, segundo relatório da KPMG. No encontro de Paris, na terça e nesta quarta-feira, cerca de 140 empresas de mais de 30 países exibiram suas ideias e apresentaram de tudo, desde robôs assessores até gerenciamento de riqueza baseado em inteligência artificial.

'Mundo aberto'

As empresas europeias destinam cada vez mais recursos a projetos de tecnologia financeira em fase inicial, seja por meio de aquisições diretas, seja por fundos de risco. Os capitalistas de risco corporativos investiram mais de US$ 600 milhões no setor de tecnologia financeira na Europa nos nove primeiros meses de 2017, maior nível já registrado, mostram dados da KPMG.

"Há muito espaço" para cooperação entre bancos e empresas de tecnologia financeira, e a área de pagamentos provavelmente será aquela na qual a regulação mais leve criará oportunidades de disrupção, disse Bonnafé, do BNP Paribas, no fórum. Sempre que novos nomes "puderem nos oferecer serviços ou abordagens melhores, posso dizer que estaremos realmente felizes, porque há muitas coisas a serem oferecidas" aos clientes, disse.

A IZettle, que se posicionou como uma alternativa mais barata para empresas menores que precisam processar pagamentos com cartão e outros serviços, se prepara para realizar uma oferta pública inicial neste ano, mas não exclui a possibilidade de buscar financiamento privado, disse De Geer. A empresa está aberta a mais parcerias depois que se expandiu da Europa para o Brasil e o México por meio de um acordo com o Banco Santander, disse o cofundador.

"Os serviços financeiros de amanhã vão girar em torno das parcerias", disse o vice-CEO do SocGen, Séverin Cabannes, a jornalistas, na sexta-feira, dois meses depois de o banco anunciar a criação de um fundo de 150 milhões de euros (US$ 186 milhões) para acelerar a inovação. "Avançamos em direção a um mundo aberto" para os serviços financeiros, baseado em parcerias e alianças, disse.

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