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Cristiano Ronaldo e Messi garantem preços altos de transmissão

Rodrigo Orihuela

(Bloomberg) -- O apelo da rivalidade entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi deverá continuar elevando os preços dos direitos de transmissão do futebol espanhol, segundo previsão de uma das grandes compradoras -- para decepção de empresas de mídia e de telecomunicações que esperavam pagar menos.

"A demanda televisiva não parece ter atingido o pico, pelo contrário", disse Taxto Benet, fundador da Imagina Media Audiovisual, a maior compradora de direitos da Espanha. "A televisão está em um momento de grande crescimento."

No momento em que a liga local do Real Madrid e do Barcelona se prepara para uma nova venda de direitos, Benet estima que o esporte se beneficiará com o número crescente de formas de assistir aos jogos. O fato de as partidas serem disponibilizadas por meio de telefones e tablets, além das TVs, deverá manter o aumento de preços apesar das queixas de grandes empresas de mídia de que os custos atingiram níveis exorbitantes, disse Benet, em entrevista, na sede de Barcelona da Imagina, também conhecida como Mediapro.

A Liga Espanhola deverá leiloar direitos para três temporadas a partir de 2019 durante o primeiro semestre do ano, embora a data ainda não tenha sido programada oficialmente. No último leilão, a liga levantou cerca de 2,65 bilhões de euros (US$ 3,3 bilhões) por um período de três temporadas.

O chefe da Vodafone, uma grande provedora de banda larga e de telefonia celular na Espanha, disse em novembro que os preços dos direitos no país são irracionais e que a empresa precisa cobrar dos clientes até 60 euros por mês para equilibrar as finanças do futebol. A rival Orange também acha os preços elevados demais, disse Laurent Paillassot, chefe da unidade espanhola da operadora, no fim do ano passado.

É improvável que essas queixas tenham algum efeito sobre as propostas reais, disse Benet.

"Faz sentido que alguém que precisa comprar um produto tente reduzir o preço", disse Benet. "Cada pessoa tem sua estratégia, e a minha não seria minar publicamente o valor desse produto. Se você diz publicamente que o futebol está caro demais, você está dizendo a seus clientes que eles pagam mais do que vale."

Enquanto as empresas de mídia e telefonia adquirem direitos para depois exibir esportes em suas próprias plataformas, a Mediapro compra direitos para revender às emissoras, já que não possui um canal independente. Essa estratégia até agora tem beneficiado a empresa de capital fechado, que cresce de forma constante desde que Benet e seus sócios a fundaram, em 1994. O acordo com a chinesa Orient Hontai, que comprará uma participação majoritária da Mediapro, deverá ser concluído neste ano, disse Benet.

Na sexta-feira, a Mediapro iniciou negociações exclusivas com a liga de futebol italiana para a aquisição de direitos de transmissão após vencer Sky e Mediaset em leilão. A Mediapro ofereceu 950 milhões de euros, pouco mais que os 945 milhões de euros que a liga obteve na vez anterior. As empresas de mídia perdedoras ofereceram um total combinado de 830 milhões de euros.

A Telefónica, principal difusora do futebol na Espanha, não assumiu uma postura pública em relação aos preços dos direitos. Segundo a lei espanhola, a Telefónica é obrigada a revender certa quantidade de conteúdo a rivais como Vodafone e Orange.

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