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Julius Baer busca formas de construir operação na Argentina

Cristiane Lucchesi e Patrick Winters

01/02/2018 16h26

(Bloomberg) -- O Julius Baer está estudando formas de construir uma operação na Argentina.

"A economia do país está passando por algumas mudanças muito positivas e vemos o surgimento de muitas novas regulações na área de serviços financeiros", afirmou Beatriz Sánchez, responsável na América Latina pelo banco de gestão de fortunas, em entrevista na quarta-feira. "Estamos analisando opções para garantir que complementaremos nossa presença na região."

Sánchez concedeu entrevista após o anúncio de que o Julius Baer, que tem sede em Zurique, adquirirá 95 por cento da Reliance Group, maior family office independente do Brasil, com sede em São Paulo. Ela preferiu não informar se a estratégia para a Argentina poderia incluir uma aquisição.

Outros bancos também estão tentando aproveitar as reformas que estão aumentando a confiança dos investidores no país sul-americano. O Itaú Unibanco informou no começo do mês passado que vê uma "enorme oportunidade" na Argentina depois que as eleições recentes reforçaram a sensação de que a recuperação será duradoura.

Desde que assumiu a presidência, em 2015, Mauricio Macri tem buscado reduzir o déficit orçamentário e abrir a economia. Em dezembro, ele assegurou uma vitória para essa agenda com a aprovação de uma lei previdenciária apenas dois meses depois das eleições em que sua aliança política ganhou posições no Congresso.

Anistia fiscal

As mudanças políticas e econômicas na região também estão atraindo outros bancos suíços depois que mais de US$ 200 bilhões em riqueza vieram à luz após programas de anistia fiscal na Argentina, no Brasil, na Colômbia, no México e no Chile. No ano passado, o UBS Group arrebatou o maior multifamily office independente do Brasil à época, a Consenso Investimentos, e informou que buscava mais aquisições ou parcerias no Brasil e no México.

Com a aquisição da Reliance, o Julius Baer terá R$ 44 bilhões (US$ 13,8 bilhões) em riqueza sob gestão no Brasil, incluindo R$ 26 bilhões administrados pelo negócio GPS Investimentos Financeiros & Participações do banco. É mais do que os cerca de R$ 30 bilhões administrados pelo UBS no país, mas ainda bastante menos do que os R$ 105 bilhões do Credit Suisse.

"O Brasil é um dos nossos mercados-chave, prioritários, e apresenta enormes oportunidades de crescimento a longo prazo", disse Sánchez.

A GPS e a Reliance continuarão independentes até o fechamento do negócio, esperado para o segundo trimestre, segundo Marc Braendlin, presidente do Julius Baer Brasil. A Reliance tem 70 funcionários e a GPS tem 120.

O Julius Baer já conta com escritórios de consultoria financeira no Uruguai, no Chile e no Peru e está presente no Panamá e nas Bahamas. No México, o banco tem participação de 40 por cento na NSC Asesores, uma firma local independente de consultoria financeira.

"Para ter sucesso neste negócio, precisamos ter forte presença local, com assessoria, conteúdo e recursos, aliada a um conteúdo e a uma rede internacionais", disse Sánchez.

Título em inglês:
Julius Baer Looking for Ways to Build an Operation in Argentina

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