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Uber reafirma projetos de expansão no Japão e em Cingapura

Yoolim Lee e Giles Turner

01/02/2018 13h25

(Bloomberg) -- Se a Uber Technologies está planejando se retirar da Ásia, ninguém avisou Brooks Entwistle, chefe dos negócios da empresa de transporte particular na região.

A companhia com sede em São Francisco pretende se expandir no Japão e está oferecendo reservas mais rápidas e viagens mais baratas em Cingapura para conquistar participação no mercado, disse Entwistle em uma entrevista. Apesar das recentes versões de que a Uber se retiraria da região após o investimento da SoftBank Group na empresa, ele disse que isso não está em seus planos.

"Recebi instruções claras para administrar e desenvolver os negócios", disse Entwistle, de 50 anos, que foi presidente do Goldman Sachs Group para o Sudeste Asiático. "É o que estou fazendo e é o que vou fazer."

O Japão será um objetivo importante da Uber em 2018, disse ele. É um dos maiores mercados de táxi do mundo e um lugar onde a Uber até agora não conseguiu entrar. Entwistle disse que a Uber está iniciando negociações com várias empresas de táxi do país e que espera estabelecer mais de uma parceria. A empresa americana também está em discussões com companhias de pagamentos em toda a Ásia para criar parcerias similares à sua união com a empresa vietnamita de carteira móvel MoMo.

Essas medidas podem criar tensão com a SoftBank. A empresa japonesa acaba de adquirir uma participação de 15 por cento na Uber e quer que ela se retire de alguns mercados asiáticos, de acordo com pessoas a par do assunto. No Sudeste Asiático, por exemplo, a Uber compete com a Grab, cujo maior acionista é nada menos que a SoftBank. A saída da Uber economizaria dinheiro para ambas as startups e melhoraria a rentabilidade da empresa americana antes de sua abertura de capital, prevista para 2019.

A Grab, liderada pelo cofundador e CEO Anthony Tan, já iniciou negociações preliminares para adquirir operações da Uber e quer um acordo, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque o assunto é privado.

Uma situação similar ocorre na Índia. A Uber compete no país com a Ola, que é o principal nome local e também é financiada pela SoftBank. A Uber e a Ola também iniciaram negociações sobre um acordo, segundo uma das pessoas. No entanto, uma fusão na Índia poderia enfrentar a oposição de órgãos reguladores devido à ausência de rivais viáveis no setor.

Um porta-voz da Uber preferiu não comentar as versões sobre negociações com a Grab ou a Ola. Entwistle disse que não está a par de nenhuma negociação.

Para a Uber, o trade-off é a escala. Se sair de mercados como a Índia e a Indonésia a rentabilidade melhoraria imediatamente, mas sacrificaria o crescimento a longo prazo. O CEO Dara Khosrowshahi disse recentemente que a empresa continuaria agressiva em relação à expansão em 2018, pois ele vê a Uber "em todos os lugares para todos".

"A SoftBank é um acionista muito importante e muitos de nossos acionistas têm opiniões sobre o caminho certo a seguir", disse Khosrowshahi em Davos. "Vamos discutir no conselho, definir uma estratégia a longo prazo e executá-la."

--Com a colaboração de Lulu Yilun Chen

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