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Bancos dão razão à Opep e projetam alta de preços do petróleo

Grant Smith

02/02/2018 14h22

(Bloomberg) -- Os maiores bancos de Wall Street mudaram de ideia e passaram a admitir um aumento nos preços do petróleo.

Goldman Sachs Group, Morgan Stanley e JPMorgan Chase publicaram uma série de projeções otimistas nos últimos 15 dias. Eles abandonaram o ceticismo e estão aceitando que os cortes de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo finalmente estão conseguindo acabar com a abundância global.

Essa fé é uma novidade. Em quase todas as etapas da tentativa da Opep de acabar com a pior crise do setor em décadas, alguns analistas de destaque estiveram prontos para lançar dúvidas sobre a iniciativa.

A seguir, algumas das projeções erradas dos bancos:

A Opep não chegará a um acordo

Em 2014, o Goldman e outros tinham previsto que qualquer iniciativa da Opep para diminuir a oferta não renderia muito - o setor de xisto dos EUA pode aumentar a produção com um ritmo e um volume tão grandes que preencheria qualquer lacuna.

A Opep concordava, mas depois surpreendeu o mercado em setembro de 2016 ao anunciar a intenção de reduzir a oferta.

O ceticismo persistiu. A maioria dos analistas consultados pela Bloomberg em novembro daquele ano projetou que os países-membros não conseguiriam chegar a um acordo. A BP afirmou que o ânimo no mercado era "pessimista".

Contudo, o pacto foi selado em 30 de novembro. A maior surpresa chegou 11 dias depois, quando vários países de fora do grupo aderiram ao acordo, entre eles uma antiga rival, a Rússia. Antes, achava-se impossível que algo assim pudesse acontecer.

A Opep não cumprirá o prometido

A Opep já havia deixado de lado suas promessas sobre a oferta porque a tentação de aumentar a renda leva os países-membros a trapacear. A nova iniciativa acabaria assim, afirmaram os bancos.

Contudo, o grupo implementou 95 por cento das reduções que prometeu no ano passado, e os aliados cumpriram com 82 por cento. O compromisso da Opep aumentou no decorrer do ano e chegou a 129 por cento em dezembro. É verdade que perdas não planejadas na Venezuela e em outros lugares também ajudaram, mas a taxa de compliance não tem precedente na história da Opep.

Os cortes não diminuirão a fartura

Os analistas alertaram que haveria um novo excedente em 2018 e que a Opep precisaria perseverar na aliança. Hoje, eles estão repensando esse pessimismo.

Citigroup e Goldman mudaram de ideia e afirmam que o excesso de estoque desapareceu. Outros, como UBS Group e Société Générale, afirmaram no mês passado que a Opep e a Rússia deveriam abandonar a estratégia antes do programado e começar a eliminar os cortes em meados do ano.

O xisto limitará os preços

Até mesmo a Agência Internacional de Energia, que se mantêm neutra em relação às políticas de mercado, alertou que as reduções sairiam pela culatra porque o petróleo a US$ 60 provocaria uma chuva de ofertas dos EUA.

No entanto, os analistas agora projetam que os preços vão voltar a patamares considerados impensáveis durante a crise, apesar da oferta dos EUA.

Na quinta-feira, o Goldman elevou em um terço sua meta de preços para dentro de seis meses, para US$ 82,50 por barril. A estimativa do JPMorgan para a média de preços do Brent em 2018, de US$ 70 por barril, é quase 50 por cento superior à do começo de outubro.

--Com a colaboração de Alex Longley

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