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Emergência em avião não basta para passageiros largarem bagagem

Alan Levin e Mary Schlangenstein

02/02/2018 13h17

(Bloomberg) -- Labaredas produzidas pelo combustível do avião que se incendiava tomavam conta de um dos lados da aeronave do voo 383 da American Airlines que havia se arrastado até parar em uma pista de Chicago. Enquanto passageiros em pânico corriam para as saídas, uma mulher se aproximou da comissária de bordo Laurie Mandich puxando uma mala grande.

Com 32 anos de experiência na companhia aérea, ela seguiu seu treinamento e pediu que a passageira largasse a mala. A mulher se recusou. Quando Mandich tentou tirar a mala da mão dela, a mulher resistiu.

Aquela passageira "realmente me deixou muito brava", disse Mandich aos investigadores dos EUA que analisaram o incêndio de 28 de outubro de 2016 que destruiu um avião de fuselagem larga e deixou mais de 20 feridos. "Ela estava perdendo um tempo valioso."

Veteranos em investigação de acidentes de aviação voltaram a ficar perplexos. Desde 2015 o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (NTSB, na sigla em inglês) investigou três outras evacuações de emergência de aeronaves que tiveram problemas que demoraram a saída dos passageiros, incluindo pessoas que pegavam a própria bagagem.

Em uma reunião na terça-feira sobre o incêndio de Chicago e sua evacuação caótica, o NTSB concluiu que as ações dos reguladores dos EUA para "mitigar esse potencial risco de segurança não foram efetivas". Quase duas décadas depois de um estudo do NTSB que identificou que os passageiros que pegam a bagagem são o maior impedimento durante evacuações de emergência, o conselho de segurança pediu à Administração Federal de Aviação dos EUA que buscasse maneiras melhores de evitar o problema.

O problema deixou os reguladores desconcertados porque envolve o comportamento humano, que é notoriamente difícil de corrigir. Entre as soluções sugeridas estão: reforçar as instruções antes do voo, oferecer treinamento adicional à tripulação e bloquear automaticamente os compartimentos de bagagem superiores em caso de emergência.

Várias companhias aéreas e diversos sindicatos que representam as tripulações de voo também pedem medidas para impedir essa prática. A American Airlines acredita que o assunto "merece mais atenção do setor, considerando os riscos que os passageiros desobedientes representam para si e para os outros ao retardar a evacuação e, por potencialmente, perfurar e desinflar as rampas da saída de emergência, que são fundamentais", afirmou a empresa em apresentação ao NTSB. Algumas companhias aéreas, incluindo aéreas de fora dos EUA, já começaram a discutir o problema, afirmou a Delta Air Lines.

"É realmente difícil de entender", disse Nora Marshal, pesquisadora do NTSB durante 28 anos que se aposentou como chefe da Divisão de Atuação Humana e Fatores de Sobrevivência.

A maioria das evacuações de emergência, se não todas, examinadas pelo NTSB durante o mandato de Marshal envolveu pelo menos alguns passageiros que tentaram pegar seus pertences, disse ela.

"Eu achava que, se houvesse um incêndio visível, as pessoas seriam menos propensas a pegar suas coisas", disse ela. "Mas, aparentemente, não é o caso."

Um estudo de segurança que o NTSB compilou no ano 2000 concluiu que 36 comissários de bordo entrevistados após evacuações relataram que os passageiros que pegavam bagagem eram o maior impedimento. Quase metade dos passageiros envolvidos em evacuações que tinham bagagem de mão, 208 dos 419 entrevistados, admitiram ter tentado levar coisas com eles, segundo o estudo.

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