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Fundo francês negocia investimento em energia verde no Brasil

Samy Adghirni, Vanessa Dezem e Mario Sergio Lima

(Bloomberg) -- Um fundo de investimento francês negocia com bancos estatais do Brasil o financiamento de projetos de energia e de infraestrutura no país em meio a restrições orçamentárias que abrem novas oportunidades para o setor privado.

O fundo STOA, que possui 600 milhões de euros (R$ 2,4 bilhões) e é alimentado pela agência de desenvolvimento francesa AFD e pelo banco de investimento Caisse des Dépôts, investirá em eficiência energética e em outros projetos verdes, segundo Laurent Zylberberg, chefe do fundo.

"Há necessidades em termos de geração de energia, energia solar e energia eólica no país", disse, em entrevista, nesta semana em Brasília. "Existe também demanda por transmissão e distribuição de energia."

O Brasil, maior mercado de energia da América Latina, tinha capacidade total instalada de 149 gigawatts em 2016, principalmente de fontes de energia limpas, como a hidrelétrica, segundo a Bloomberg New Energy Finance. O BNDES vinha sendo o maior financiador de projetos de energia renovável, mas isso está mudando devido à péssima situação fiscal do país.

Zylberberg disse estar conversando com o BNDES sobre financiamento de projetos. O BNDES não estava disponível para comentar.

Durante a estadia em Brasília, Zylberberg se reuniu com representantes do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão do Brasil e da Caixa Econômica Federal. "Há um grande desafio para o Brasil e outros países em relação ao que deve ser feito para garantir que a energia renovável atenda às crescentes necessidades de consumo de energia", disse Zylberberg. "Do contrário, estaremos aumentando a produção de CO2, o que nos colocará completamente fora do rumo."

Em declaração enviada por e-mail, o vice-presidente corporativo interino da Caixa, Luiz Gustavo Silva Portela, disse que a cooperação com os franceses poderia viabilizar projetos importantes por meio de parcerias público-privadas, especialmente em cidades pequenas.

As conversas do STOA no Brasil também incluem o Banco do Nordeste, segundo Zylberberg. O gerente da área de operações estruradas do banco, Sérgio Clark, disse à Bloomberg que um dos projetos em discussão envolve iluminação pública em cidades médias no Nordeste. Mas Clark afirmou que a assinatura de contrato dependerá das condições de financiamento, já que o banco estatal de desenvolvimento alemão KfW até agora vem oferecendo taxas mais vantajosas para projetos semelhantes.

--Com a colaboração de Luisa Marini

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