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Integrantes do BCE querem mais clareza na sinalização de juros

Jana Randow e Carolynn Look

02/02/2018 14h46

(Bloomberg) -- Um grupo de integrantes do Banco Central Europeu pede que o presidente da instituição, Mario Draghi, dê aos investidores um sinal mais claro sobre por quanto tempo a instituição manterá as taxas de juros inalteradas, de acordo com autoridades da zona do euro com conhecimento do assunto.

Na reunião da semana passada, alguns membros do Conselho Geral argumentaram que o BCE precisa ser mais específico do que a expectativa declarada de que manterá os juros inalterados até "bem depois" do fim das compras de ativos, segundo as fontes. O temor é que esta expressão vaga contribua para a volatilidade do mercado e enfraqueça a economia, afirmaram as pessoas, que pediram anonimato porque as deliberações são confidenciais.
Draghi não quis mudar o palavreado e não houve muito debate, de acordo com as fontes. Alguns membros do Conselho Geral estão à vontade com a expressão "bem depois", acreditando que proporciona mais flexibilidade na definição do nível adequado de estímulo monetário para a perspectiva de inflação, segundo uma das autoridades ouvidas pela reportagem.

Um porta-voz do BCE se recusou a comentar. Durante a entrevista coletiva com a imprensa após a reunião, Draghi declarou que não há diferenças "existenciais" entre os integrantes da instituição.

Um aperto da linguagem sobre os juros seria bem recebido pelas autoridades que preferem uma política monetária mais agressiva e que defendem estabelecer uma data final para as compras de ativos. Um sinal mais claro sobre quanto tempo mais os custos de captação permanecerão próximos dos menores níveis históricos também pode ajudar o Conselho Geral a trabalhar essa ideia sem causar choque nos mercados, em meio a especulações sobre uma freada súbita do dinheiro fácil.

Os investidores estão mais atentos às comunicações do Conselho Geral, à medida que o crescimento econômico da zona do euro intensifica especulações de que o chamado estímulo quantitativo ? que somará 2,55 trilhões de euros (US$ 3,2 trilhões) até setembro ? está perto de ser encerrado. O BCE afirma que o programa será estendido novamente, caso necessário, mas a maioria dos economistas ouvidos pela Bloomberg prevê redução até o final do ano. Assim, o momento de uma eventual alta do juros virou foco de discussões ? e as estimativas variam muito.

Apostas do mercado
O Barclays prevê aumento na taxa de depósitos neste ano, embora Draghi tenha dito na entrevista coletiva da semana passada que enxerga "pouquíssimas chances" de elevação nos juros em 2018. UBS Group e Pictet Wealth Management preveem elevação no terceiro trimestre de 2019. Índices do mercado sugerem que a primeira alta de juros acontecerá em março do ano que vem.

Nas últimas semanas, o euro e os rendimentos dos títulos se mostraram sensíveis a qualquer comunicação de integrantes do BCE sobre o programa. A moeda única teve o maior ganho em três anos no dia 12 de janeiro, após um relato da reunião de dezembro sugerir que as autoridades podem revisar a linguagem atual já no começo de 2018.

Volatilidade

Durante uma palestra na segunda-feira, o economista-chefe do BCE, Peter Praet, que geralmente defende a flexibilidade na política monetária, reconheceu a percepção de falta de clareza no mercado.

"Há alguma incerteza porque não sabemos hoje o que será 'bem depois' e os mercados se perguntam se é meados de 2019? Primeiro trimestre de 2019?'", ele disse durante o evento em Bruxelas.

"Nós vamos verificar as condições financeiras e como as expectativas em torno da expressão 'bem depois' afetam as condições financeiras e depois vamos ver o que iremos comunicar."

--Com a colaboração de Piotr Skolimowski

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