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Investigações de subornos assustam autoridades peruanas

John Quigley

(Bloomberg) -- Os integrantes do governo peruano têm tanto medo de serem acusados de corrupção que estão criando entraves para um programa de infraestrutura necessário para reanimar o crescimento econômico do país, afirma uma associação do setor.

Após o escândalo de subornos da Odebrecht, os integrantes do governo ficaram mais cautelosos nas decisões a respeito de uma série de projetos por medo de serem envolvidos em investigações de corrupção, disse Gonzalo Prialé, presidente da Associação Nacional para a Promoção de Infraestrutura, que representa empresas que investem em parcerias público-privadas.

"O medo está afetando o processo de investimento como um todo", disse Prialé, em entrevista, em Lima. "Precisamos combater a corrupção, mas manter o investimento."

A Operação Lava Jato levou à prisão de mais de uma dúzia de ex-integrantes do governo e empresários no Peru e paralisou os investimentos da Odebrecht em irrigação, em rodovias e em um grande gasoduto. O mal-estar está afetando uma série de outros projetos público-privados concedidos por governos anteriores ou com aprovação pendente, incluindo um anel rodoviário de US$ 2 bilhões em Lima que aguarda sinal verde há anos, disse Prialé.

Por meio do programa de parcerias público-privadas, as empresas -- muitas delas estrangeiras -- constroem e operam infraestrutura e recuperam os investimentos ao longo do tempo. Apenas US$ 1 bilhão em novos contratos público-privados foram concedidos no ano passado, contra uma meta inicial de US$ 4 bilhões.

O estado de ansiedade chega a tal ponto que as autoridades de governo parecem ter medo de tomar decisões impopulares, como instalar pedágios nas rodovias, disse Prialé.

"Há uma falta de liderança no nível mais alto, a começar pela presidência" de Pedro Pablo Kuczynski, disse Prialé. "É necessário muito mais dinamismo."

O gabinete de Kuczynski e o Ministério das Finanças não responderam aos e-mails em busca de comentários.

A culpa não é apenas do escândalo da Odebrecht. Uma controvérsia sobre o contrato público-privado para a construção do aeroporto de Chinchero, no ano passado, também minou os esforços de Kuczynski para diminuir o déficit de infraestrutura, estimado em quase US$ 160 bilhões.

O setor tem esperanças de que a situação comece a se recuperar em breve, disse Prialé. A Proinversión, agência governamental que gerencia o programa de parcerias público-privadas, planeja conceder US$ 4,5 bilhões em contratos neste ano, incluindo dois portos, uma ferrovia e o depósito de cobre de Michiquillay.

Além disso, o governo prepara uma legislação para evitar que os escândalos de corrupção comprometam cerca de 30 bilhões de soles (US$ 9,3 bilhões) em investimento público neste ano, disse a ministra das Finanças, Claudia Cooper, na terça-feira.

O avanço de um novo contrato para o aeroporto de Chinchero, em Cusco, e a aprovação de contratos pendentes para hospitais público-privados a curto prazo transmitiriam sinais animadores aos investidores, disse Prialé.

Título em inglês:
Bribery Probes Strike Fear Into Peru Officials, Stall Investment

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