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Refinaria da Pemex busca acordo com Mitsui para se recuperar

Amy Stillman

02/02/2018 13h53

(Bloomberg) -- Com refinarias deficitárias que produzem a menor quantidade de combustível em 27 anos e poucas parcerias privadas anunciadas desde a reforma do setor de energia do México, o empreendimento de US$ 2,6 bilhões com a Mitsui será um alívio para a Petróleos Mexicanos.

A Pemex fechará dentro de poucos meses um acordo para o projeto com um grupo liderado pela Mitsui que ajudará a Pemex a ampliar a quantidade de combustíveis produzidos em sua principal refinaria, a Tula, em cerca de 40 por cento, reduzindo a dependência em relação às importações dos EUA e de outros países.

O projeto Tula "é onde estamos concentrando nossas atenções", disse Carlos Murrieta, diretor da Pemex Industrial Transformation, em entrevista por telefone à Bloomberg. "Precisamos discutir muitas coisas, mas estamos a ponto de fechar o acordo."

O consórcio, composto pelas japonesas Mitsui e Cosmo Oil, pela espanhola Cia. Española de Petróleos e por uma joint venture entre a mexicana Empresas ICA e a americana Fluor, construirá e operará uma usina de coque adiada na refinaria do estado de Hidalgo.

O projeto é um dos maiores investimentos de uma empresa privada no setor de refino do México desde que o país sancionou reformas, há vários anos, que prometiam reanimar as unidades problemáticas da Pemex. Até o momento, as reformas renderam pouco mais que isso.

No ano passado, o México importou a maior quantidade de combustível desde 1990, pelo menos, quando o Ministério de Energia começou a publicar os dados. As seis refinarias da Pemex foram atingidas por terremotos, inundações e incêndios. Os cortes orçamentários resultaram no adiamento ou arquivamento das remodelações das unidades e o número de paralisações não programadas mais que triplicou desde 2013.

Como se não bastasse, o roubo de combustível é um enorme obstáculo para as operações das refinarias, o investimento futuro e a segurança dos trabalhadores. Os cartéis de narcotraficantes do México se infiltraram no negócio, gerando custos de cerca de US$ 1 bilhão por ano à Pemex.

Uma grande manutenção poderia mudar a situação, disse Murrieta. A empresa espera terminar a obra em suas refinarias de Minatitlán e Madero até o fim de março e iniciar os reparos nas plantas de Tula e Salamanca neste ano. No ano passado, Cadereyta passou por reforma e a maior refinaria do país, Salina Cruz, permaneceu desativada durante meses, enquanto a Pemex buscava consertar danos causados por desastres naturais.

A empresa poderia importar petróleo neste ano para alimentar suas refinarias. A Pemex está "preparando infraestrutura" para ter a flexibilidade de importar petróleo, provavelmente com navios-petroleiros ou por trem, segundo Murrieta. As importações poderiam futuramente responder por até 5 por cento do volume de petróleo das refinarias. No ano passado, a Pemex processou quase 770.000 barris por dia de petróleo.

A Pemex enfrenta forte concorrência de empresas internacionais como Exxon Mobil, Royal Dutch Shell, Total e Glencore, que estão abrindo postos de gasolina e planejam importar combustível como parte da liberalização do setor no México.

"Agora que estamos voltando a fazer as grandes manutenções de que as refinarias precisam, a produção deve chegar a 900.000 ou 1 milhão de barris por dia, se for economicamente rentável" aumentar o ritmo de operação, disse Murrieta. "Estamos tentando maximizar o valor do refino."

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