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Após mudar sistemas de fabricação, Toyota busca reorganização

Kevin Buckland e Nao Sano

05/02/2018 15h51

(Bloomberg) -- Durante décadas, a Toyota Motor construiu uma cultura corporativa invejada pelo mundo industrial. Agora, a empresa mais imitada da indústria automotiva está reformulando a forma de levar seu alardeado sistema de produção a todos os cantos do negócio.

No mês passado, a fabricante de automóveis criou um grupo único, com 200 funcionários, para gerenciar o Sistema Toyota de Produção (TPS, na sigla em inglês), centralizando uma função antes espalhada pela organização. A tarefa do grupo é avaliar de que forma conceitos básicos como "kaizen" (melhoria contínua) podem ser aplicados a novos negócios, como compartilhamento de carros e robôs para consumo. A unidade é comandada por Shigeki Tomoyama, 59, executivo de carreira da Toyota que costuma empunhar tablets em eventos, o que o faz parecer mais um engenheiro de software do Vale do Silício do que alguém do setor automotivo.

"Queremos revisar sistematicamente cada passo de nossos processos -- desde a pesquisa e o desenvolvimento até a fabricação, as vendas e a manutenção -- para aumentar a efetividade de combate de nosso negócio como um todo", disse Tomoyama, em entrevista, no mês passado. "O contexto de tudo isso é o sentido de crise extremamente forte do presidente Toyoda."

Os analistas acreditam que a Toyota divulgará na terça-feira a primeira queda no lucro líquido em três trimestres, mas é provável que a empresa continue no caminho para registrar um crescimento anual dos lucros pela primeira vez em dois anos. As ações caíram menos do que o mercado como um todo nesta segunda-feira -- 1,6 por cento, contra declínio de 2,2 por cento do Topix -- e continuam perto do nível mais alto registrado desde o fim de 2015.

Ainda assim, Akio Toyoda afirma que a fabricante de veículos fundada por seu avô há oito décadas precisa avançar mais rapidamente para acompanhar empresas como Google e Uber Technologies na corrida para produzir carros conectados, autônomos e elétricos.

"A Toyota está desenvolvendo veículos elétricos e outras tecnologias novas, mas ao mesmo tempo está retornando ao básico", disse Seiji Sugiura, analista do Tokai Tokyo Research Center em Tóquio. "A força deles não se limita ao hardware, está também no poder de influência. Reforçar isso com a criação do TPS Group para implementar na manufatura e nas vendas é um fator positivo."

Nos últimos dois anos, a Toyota abriu um centro de pesquisas no Vale do Silício, estabeleceu um fundo de capital de risco de US$ 100 milhões e criou empresas de software no Japão e nos EUA, com planos de adicionar uma filial europeia neste ano. A fabricante de veículos afirma que investirá um recorde de US$ 9,7 bilhões em pesquisa e desenvolvimento no período de 12 meses até março. Em dezembro, a Toyota anunciou planos de ter pelo menos 10 veículos movidos a baterias elétricas em sua linha até o início da década de 2020. Atualmente, a empresa não tem nenhum.

No mês passado, Tomoyama foi promovido e se tornou um dos seis vice-presidentes-executivos da Toyota. Além de liderar o TPS Group, ele tem um portfólio abrangente que inclui a chefia de segurança de informação, a liderança da iniciativa de big data da fabricante e a direção da divisão de esportes a motor.

--Com a colaboração de Jason Clenfield e Kae Inoue

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